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Relatório Minoritário

 

1. Não é todos os dias (nem todos os anos...) que surge em Portugal uma revista que realmente valha a pena. Nem é todos os dias que o surgimento de uma revista provoca reacções fortes, de aprovação e rejeição. Tudo boas razões (ainda que não as únicas) para um encontro e uma longa conversa com Helena Matos, jornalista, autora de muita da opinião mais outsider que se pode encontrar na imprensa nacional — e directora da neonata Atlântico.

2. Por vezes cedemos à tentação de deixar o trabalho nas mãos de profissionais. Sarah Adamopoulos entrevistou Manuel António Pina e o resultado aconselha-nos a ceder mais vezes às tentações. Fazermos boa figura por interposta pessoa. «Penso que a poesia goza de um injustificado prestígio», Pina dixit.

3. O galego é uma língua autónoma? O galego é português? O português é galego? É tudo galaico-português, tudo portugalego? Falamos uns com os outros e entendemo-nos, ou é preciso tradução? Questão menor (ou não-questão) em Portugal, na Galiza desperta paixões e reúne hostes atrás de barricadas e trincheiras. Nas páginas da Periférica, três perspectivas sobre o assunto.

4. Quando não está opiaciamente alheio do rumo que leva — ou freneticamente in denial —, Portugal suspira e espera (sentado) pelo «político competente» que ponha ordem na casa. A espera dura, e dura, e dura. Carlos Jalali disseca-a.

5. No campo da fotografia, dois portefólios de encher as medidas: o “neo-caravaggismo” de Piotr Kowalik e o louco mundo a preto e branco de Armindo Dias.

6. Um ano depois, a banda desenhada regressa merecidamente às páginas da Periférica com Benoît Guillaume e Pilau, naquela que é a nossa estreia — que já tardava — pela francofonia. No próximo número será a vez de Pascal Thivillon, também francês.

7. In extremis, uma selecção de posts do recém-nascido Casmurro, uma das melhores notícias da blogosfera nacional desde que a blogosfera nacional passou a ser notícia.

N.R. Filipe Guerra não achou bem a falta dos originais da poesia espanhola publicada no número anterior. Concordamos. Mas se o Estado tem de aprender a viver com o orçamento estipulado, convém que comecemos a dar o exemplo. Até a Arte tem de se vergar ao pragmatismo dos números. Havendo que cortar...

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