Se está a ler este parágrafo é porque o seu browser não suporta convenientemente folhas de estilos CSS (Cascading Style Sheets). Sugerimos que actualize o seu browser, pois caso contrário o aspecto deste site será muito diferente do planeado, se bem que continue a ser legível. As versões recomendadas dos browsers são: Internet Explorer 6.0 (5.5 já é bom), Netscape Navigator 6.2 (6.0 já é bom) e Opera 6.01.
Pulp Fiction |
ÍNDICE | FOLHEAR | ASSINATURAS |
RecomeçoTexto de Rui Ângelo Araújo | Fotografia de Bruno Espadanathere's nothing i'd love to do more
Björk Há tardes assim, raros momentos de epifania. Depois do almoço, um sol generoso de intenções acompanha-te ao longo do canal. Nada a dizer (tudo a dizer) sobre os barcos silenciosos e a cota elevada a que navegam. O mundo às avessas. A Holanda tem destas coisas, não as podes ignorar. Mulheres lindas à janela e coffee shops. Lugares eufemísticos, sexo, drogas e canais. Em Roma visita-se o Papa. E um quarto de hotel junto ao Rijksmuseum. Nada te interessa assim tanto. Tudo te angustia assim tanto. Meu Deus, que vocação para o desassossego. O canal e a estrada seguem para oeste. A estrada, se o desejares, passa em Haarlem, e o céu escurece. Não temas, o vento também faz parte. No porto há um cais de passageiros e um ferryboat da linha escandinava. E há um banco de ferro voltado para uma estátua ao marinheiro, ou coisa assim. O marinheiro com gaivotas e merda na cabeça está ao abrigo das tempestades, mas não parece contente. Tu, pelo contrário, reconcilias-te com o céu carregado, tão baixo que por vezes esconde os últimos pisos do ferry. É estranho. Um tempo assim costumava deprimir-te, mas apetece-te cantar melodias grossas de marinheiros. E rumar ainda mais a norte. Recordo outras tardes de igual beatitude. Contra o vento e a chuva, rosto descoberto, passo firme. Ascensão a montes solitários e lugares íntimos da alma. Talvez um pouco tocado pelo whisky, mas quem está ali para o notar? Os cães de pastorícia estranham-te a súbita coragem, de relance. Em dias destes não mereces um latido, mas uma prece ou uma ovação, depende de quem olha. Do meu ponto de vista, concedo-te a dúvida, mas é tarde e há que voltar para o hotel. Deves escolher a banda sonora, há demasiado tempo que não ouves música. Na rádio, apropriadamente, passa qualquer coisa da Björk. Mera coincidência ou alguém anda a mexer os cordelinhos. Enfim, talvez o ferryboat não estivesse no porto a despropósito e os céus cedessem um pequeno anjo de bom grado. Talvez tudo tenha uma ligação elementar, meu caro. But you are gonna have to find out for yourself, repete. [...] Rubrica completa na edição em papel... |
|