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Manual de instruções para crimes banais

Editoras e Publicidade

«Outro Estilo. Outro Ritmo.»

Texto de João Pedro George | Ilustração de Rui Martins

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Directamente ao que interessa: a publicidade das editoras. As editoras portuguesas deveriam olhar com mais atenção para a publicidade dos automóveis, televisões, brinquedos, telemóveis, perfumes, relógios, e por aí fora. São autênticos banhos de inspiração para uma editora que esteja realmente interessada em vender livros e não em queixar-se, permanentemente, da crise dos hábitos de leitura em Portugal ou do IVA nos livros. Coisas que não passam de desculpas de mau editor. Exemplos: a Teorema, para anunciar os seus livros, limita-se a umas frases apáticas e displicentes como «não perca as novidades da Teorema», «não deixe de ler as novidades da editorial Teorema» ou, num tom de súplica, de partir o coração, «na Teorema sempre grandes novidades. Leia-as por favor». Quando se trata de promover um escritor em particular, a incompetência salta aos olhos: «em Dezembro, a Teorema propõe-lhe Nick Hornby» ou «Raymond Carver, a genial obra de um dos mais importantes autores americanos contemporâneos». Imaginemos agora que a Teorema utilizava as mesmas frases publicitárias, por exemplo, dos televisores Sony. Bastaria substituir, no texto, a palavra "televisor": «O último Raymond Carver. Não é um livro. É um álbum de fotografias, um banco de memórias. É a sua vida em ecrã panorâmico. Não é um livro, é um centro comercial, uma sala de concertos, uma zona de jogos de alta resolução. Não é um livro. É tudo aquilo que desejar. É uma realidade à parte.» Estão a perceber a ideia?

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Texto completo na edição em papel...

[Ilustração de Rui Martins]