Se está a ler este parágrafo é porque o seu browser não suporta convenientemente folhas de estilos CSS (Cascading Style Sheets). Sugerimos que actualize o seu browser, pois caso contrário o aspecto deste site será muito diferente do planeado, se bem que continue a ser legível. As versões recomendadas dos browsers são: Internet Explorer 6.0 (5.5 já é bom), Netscape Navigator 6.2 (6.0 já é bom) e Opera 6.01.
O Padrinho |
ÍNDICE | FOLHEAR | ASSINATURAS |
Carta para Cees NooteboomTexto de J. Rentes de Carvalho | Ilustração de Alain VossMeu caro Cees, É um sentimento curioso o de ler um livro no local onde se presume que o mesmo teve a sua gestação. A acreditar nas informações da empregada da York House, o romântico albergue da Rua das Janelas Verdes, em Lisboa, eu ocupo desde ontem o mesmo quarto, durmo na mesma cama e respiro o mesmo ambiente que tu tão detalhadamente descreves em A história seguinte. No andar de cima não se ouve agora o tumulto erótico que te perturbou, mas as traves do tecto têm realmente um aspecto artificial e os eléctricos passam dando a impressão de que vão descarrilar. Ontem à tarde vagueei pela cidade tentando ser tu, tentando vê-la através dos teus olhos, isto é: os olhos do ex-professor de línguas clássicas com que no livro te disfarças. Em vão. A Lisboa, teatro da minha juventude, prendem-me raízes tão fundas que nela não consigo ser outro senão eu próprio. Tudo o que nela vejo é irremediavelmente filtrado pela recordação, pela emoção, pelo desespero de que jamais virei a saber se ao fugir de lá escapei ao meu destino, ou se os fados me obrigaram a partir, deixando-me a ilusão de que fugia. [...] Carta completa na edição em papel... |
![]() |