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Fotografias de Francisco Mata Rosas
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A Nicarágua que me perdoe, mas a classificação que dela fez Julio Cortázar («tan violentamente dulce») poderia aplicar-se a toda a América Latina. É isso que penso quando olho as fotografias que seleccionámos com Francisco Mata Rosas para este número: com alguma possível excepção, as imagens saídas da câmara deste ex-fotojornalista registam momentos de sofrimento e morte, mesmo de culto do sofrimento e da morte — de "misery", palavra tão mais polissémica que o suposto equivalente em português. São, de formas diversas, imagens de violência: uma violência contida — como convém à que se tornou parte do dia-a-dia — ou, por reacção, ritualizada, outra forma de dizer domesticada. Por outro lado, são imagens estranhamente belas, umas; empáticas, outras: irrelevante e indiferente, nenhuma. Encerram em si a essência do fotojornalismo — e da América Latina, mulher sedutora, selvagem, de flor na boca e faca na liga. FG |