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Relatório Minoritário |
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América, América!Quando iniciámos a publicação da revista, uma das poucas regras (não escritas) era a de que a Periférica não teria números temáticos. Não que tivéssemos alguma objecção de princípio contra tal conceito, simplesmente a nossa experiência como observadores dizia que os números temáticos são uma das portas mais abertas à entrada de entulho numa publicação: o critério primeiro (e último) deixa de ser o da qualidade e passa a ser o do tema. Outra regra, mais importante do que a anterior, era a de que não teríamos ideias feitas nem fecharíamos os olhos às evidências. E em Agosto passado as evidências apontavam para que fizéssemos o número parcialmente temático que tem nas mãos. Meses antes tínhamos conhecido a Bestiário, revista brasileira de contos nas línguas portuguesa e espanhola: uma breve troca de e-mails com os seus editores levou ao estabelecimento de uma parceria com vista à "intermediação" recíproca junto de colaboradores de uma em que a outra tivesse interesse. Também por essa altura, os nossos bytes cruzaram-se com os da Clandestina, publicação online que, desde a Argentina, mensalmente selecciona muito do que de melhor se faz em termos de ilustração e fotografia a nível mundial. Foi então que o cenário se compôs com clareza nas nossas mentes: faríamos do número 11 uma edição temática, e o seu tema seria a outra América, a América Latina. Para dar mais diversidade ao cenário, entrevistaríamos precisamente os responsáveis por Bestiário e Clandestina, a que se juntaria mais tarde (por razões que poderão apurar nas respectivas páginas) o editor da espanhola Thule Ediciones. Não se admirem, pois, se algumas perguntas aparecem nos três artigos: como um inspector da PJ, tentámos cruzar informações para chegarmos ao retrato-robot do indivíduo, que para o efeito é uma espécie de "continente cultural". A palette de tons e sabores completar-se-ia com fotos chegadas do México e cartoons do já nosso conhecido Boligán. A cereja no cimo do bolo ser-nos-ia entregue por Cláudia Clemente: a sua paixão pela obra de Julio Cortázar resultaria não em um, como pedido, mas em dois textos sobre o autor cujo ano internacional se vem comemorando em 2004 (o que tem escapado às editoras nacionais, eternas desatentas). O dossier resultante (mais de 40 páginas) encontra-se espalhado pela edição, com uma
forte tónica na narrativa breve*.
* Os contos originalmente em castelhano foram traduzidos por Fernando Gouveia. |
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