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A testemunha

História de Cronópios

Em memória de Ugné Karvelis

Texto de Cláudia Clemente | Ilustração de Paulo Araújo

Ouvi pela primeira vez a palavra "Cronópio" numa tarde quente de Agosto, num comboio apinhado de gente que fazia a viagem entre Génova e Roma. Um rapaz argentino, surpreendido por saber que eu nunca lera nada da autoria de Julio Cortázar, ofereceu-me o livro que trazia consigo. Eram as "Histórias de cronópios e de famas".

Já conhecia, no entanto, o nome desse autor, graças a Jorge Luis Borges e à sua famosa "Biblioteca Pessoal". Embora nunca tenha chegado a completar essa obra, uma selecção dos cem melhores livros que já lera, à data da sua morte Borges tinha já grande parte dos textos de apresentação escritos. Escolheu para iniciar "Biblioteca Pessoal" um volume de contos de Julio Cortázar, explicando que fora ele o primeiro a publicar um conto desse autor, em 1946, na revista que então dirigia, "Los Anales de Buenos Aires". Tratava-se de "Casa tomada", que mais tarde viria a integrar "Bestiário", o primeiro livro de contos de Cortázar, editado em 1951.

De regresso a Portugal, descobri com prazer o humor cortazariano através dos cronópios, "pequenos seres húmidos", que na realidade representam os poetas, os artistas, os que não se regem pelas comuns regras da sociedade. Desde então, a minha admiração pela sua obra nunca parou de crescer. A tal ponto que, anos depois, noutra tarde quente de Agosto, dei por mim no sul de França à procura de uma pequena aldeia chamada Saignon.

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Artigo completo na edição em papel...

[ilustração de Paulo Araújo]