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Il Postino

Ao meu bom amigo director

Carta de Jorge Reis-Sá

[Reprodução das páginas do artigo da Periférica n.º 10]

Meu bom amigo Rui Ângelo Araújo

Antes de tudo o mais perdoe-me a pretensão de o intitular meu bom amigo, afinal nem nos conhecemos. E, embora sejamos ambos de zonas periféricas, isto por si só não dá direito a amizade. Mas, olhe, meu bom amigo, deu-me para o sentimento e não consigo deixar de ser ternurento neste meu endereçamento ao mui nobre director.

Agradeço-lhe as suas palavras na última Periférica sobre a antologia que organizei. E, desde já, a inclusão desta missiva no próximo número para que possa repor algumas verdades. Muito obrigado. E agradeço as palavras sobre a antologia porque sei que seriam boas e amigas. Isto para dizer que da antologia, na sua crítica, afinal não fala nada. Parece ser agora costume entre os críticos perderem-se em coisas sem importância nenhuma e não falar no essencial, já assim o fez António Guerreiro no Expresso há uns meses. Mas adiante, estão no seu direito.

Porque primeiro quero dizer-lhe, meu bom amigo, que a sua obsessão pelo professor Luís Adriano Carlos deveria ser tratada. Não entendo muito bem as suas palavras, estas polémicas via Apeadeiro devem doer-lhe mais a si do que ao Pedro Mexia, já vi. É que nós, nas Quasi, não somos adeptos de censuras, sabe? E, no meio da polémica que ambos tiveram, achamos por bem não censurar ninguém. Não saberá decerto que o Pedro Mexia foi convidado para participar na Apeadeiro em questão, mas deixe lá meu bom amigo, noto que não sabe isso e muito mais. Embora devesse saber que quadro a óleo não temos, puderam os seus comprová-lo na ternurenta entrevista que nos fizeram.

Agradeço-lhe muito o elogio que nos faz quando diz que temos, eu e o valter (mantenha as minúsculas, vá lá, seja simpático) mais jeito para editores do que para o marketing. Só não o percebo é quando, logo de seguida, vem dizer que temos muita "tulha para reciclar". Quer ser menos contraditório? É que ou gosta ou não. Isto de ter duas opiniões contrárias no mesmo parágrafo não é muito bom num cronista ou crítico, veja lá. Mas faço-lhe este reparo com amizade, entenda. Mesmo que de seguida me acuse tanto de silêncio hipócrita como de ser educado e respeitador. Novamente no mesmo parágrafo. Vá lá alguém entendê-lo.

[...]

Carta completa na edição em papel...