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Il Postino

Aqui não há jantares

Uma resposta a João Pedro George

Carta de Fernando Venâncio

[Reprodução das páginas do artigo da Periférica n.º 9]

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Levei o número para a frescura do café dos Artistas (ou dos Poetas?), junto ao São Luiz. Fui lendo, divertindo-me, instruindo-me, relaxando. Estava já muito tranquilo, quando, sem mais, me vi aludido. Olha, falam em mim. Sobressaltei-me. Um gajo não se habitua às coisas mais naturais.

A peça, «A coutada literária do Expresso», vinha assinada por João Pedro George. Era extensa, como o assunto pedia, e convocava quatro dos mortais que, na celebrada folha, se vêm eternizando. Era uma honra, não a atenção, porque tudo fazemos para consegui-la, mas a assinatura do George. Estava escrito, um dia calhava a nossa vez.

Há muito que o George traz os agentes culturais debaixo de olho. A todos. Anda fazendo a história da literatura actual, a verdadeira, a única realmente importante no futuro. A dos meandros, dos bastidores. É uma actividade meritória, sobretudo porque nunca suficientemente apreciada, sempre antes mirada com desconfiança. Todos quantos em Portugal, e não foram muitos, tentaram um dia a história da literatura coetânea acabaram esquecidos, activamente esquecidos. A universidade e o agenciamento cultural detestam ver-se examinados.

Isso não assustou o George. Continuou rastreando as movimentações de fundo, cartografando os processos e os conflitos, a pequena história que afinal não o era tanto assim. Mapeou, entretanto, alguns sectores da história presente, como as sondas fazem em Marte, criando vistas espectaculares, vertiginosas paisagens. E ali estava eu também, minúsculo relevo na vertigem.

Segundo o George, o Expresso desenvolveu um microclima literário de compadrio, de mútuo elogio, de auto-complacência. Os termos não são dele, sou eu que racionalizo. Nessa refervente calda, dois eixos se lhe desenharam então mais nítidos, mais descarados. Um que liga o filósofo e crítico António Guerreiro ao poeta e crítico Manuel de Freitas. Outro que corre entre o professor e crítico Ernesto Rodrigues e este vosso servidor.

Os medonhos ficheiros de João Pedro George justificam esta topografia. Um pressuroso vaivém de obséquios, de mimos, de conspirações, eis o que transpira da documentação. Ainda um escrevente não esvaziou o bafo, já o outro retoma alento. Dão-se o mote, dão-se a deixa.

Tem de fazer-se a George a justiça de supor nele, sobretudo nele, consciência de que isto é um retrato demasiado composto. É uma organização do caos, uma de numerosas, nem saiu mal feita. As realidades são, ainda assim, mais complexas. Elas tornam igualmente exequível um eixo que vai de António Guerreiro a... Os programas do George logo responderam. De caminho, definiram outra ponte, a que liga Fernando Venâncio a... E o ecrã do George faiscou de surpresas.

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Carta completa na edição em papel...