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Pulp Fiction |
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O terceiro cãoTexto de Charles Kiefer | Ilustração de Rui Lúcio Carvalho
O que fazia ali, na Praça Argentina, àquela hora, o professor Vladimir dos Reis? Não tinha o hábito de sentar-se em lugares públicos, muito menos às segundas-feiras à tarde. Para dizer a verdade, protegia-se das multidões, evitava-as, vivia quase enclausurado. A vida acadêmica, por sua própria dinâmica — a necessidade de recolhimento e reflexão, as longas jornadas de estudo, a preparação de aulas, a correção de trabalhos e provas de alunos, as reuniões do corpo docente — forçava-o a uma rotina monástica. Somava-se a isto a sua personalidade reclusa. Enquanto os colegas debandavam, como manada, aos cinemas, restaurantes, casas noturnas, ele preferia a audição solitária de Beethoven na vasta sala de sua casa, com os fones de ouvido protegendo-o dos irritantes ruídos do mundo. Nos últimos anos — o cardiologista recomendara-lhe exercícios —, caminhava algumas quadras pelo bairro. De madrugada, para evitar o constrangimento de encontrar conhecidos. Ao centro da cidade ia apenas de carro, e às pressas. Em sala de aula, contudo, era capaz de ilações riquíssimas a respeito do flânner, não poupava elogios às galerias — os grandes símbolos da modernidade —, mas resistia aos shopping centers, "as atuais cidadelas medievais", como os definia. [...] Conto completo na edição em papel... |