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Pulp Fiction

Beba Coca-Cola, que eterniza melhor!

Texto de Héctor Gorla | Ilustração de Pedro Vieira

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A mesa, servida profusamente apesar de sermos poucos na família (a mamã viveu connosco até que se foi em 62), engalanava-se todos os dias com a garrafa de Coca-Cola, que eu preferia à Bidú, à Bilz ou outros engendros da fábrica de gasosa do bairro. Creio que o vício, agravado com os anos, me levou a consumir o negro néctar do norte com doentia ansiedade. Com desagrado fui constatando que Anselmito preferia a Bidú, a mamã e Elena um copito de vinho com gasosa, e que éramos eu e o cão os que se regalavam com Coca-Cola, carentes de solidariedade. A primeira vez que o Vagido provou o delicioso líquido foi quando verti o meu copo no almoço de domingo e fui à cozinha buscar um esfregão. Voltei a entrar na sala de jantar e encontrei-o em cima de uma cadeira, com as suas duas enormes patas sobre a mesa de acaju e o focinho metido naquela confusão, cirandando gulosamente com a sua língua enorme e vermelha sobre toalha às flores, alentado pela hilaridade dos comensais.

Desde então abasteci-o de Coca-Cola com tanta fruição como à minha própria garganta. Os veterinários sentenciaram uma morte rápida, certa e horrenda, devido a que a gasosa fazia estragos nas vísceras dos quadrúpedes. Para dizer a verdade, já desejei encontrar-me com muitos desses cientistas, porque um ou outro mudou de bairro, a maioria reformou-se da profissão, outros simplesmente descansam em paz.

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Conto completo na edição em papel...

[ilustração de Pedro Vieira]