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Carta para H. T. G. HoekstraTexto de J. Rentes de Carvalho | Ilustração de Alain VossPrezado senhor Hoekstra, Além de me não parecer boa, a ideia que descreve na sua carta está longe de ser original. Pessoalmente tenho conhecimento de pelo menos três outros projectos para estabelecer em Portugal "aldeamentos pré-históricos", sei de dois que querem fazer reviver a vida pastoril nos montes portugueses, mais dois que esperam dinamizar o artesanato das rendas, um que vai estimular lá o adormecido fabrico de flautas de barro, e outro ainda dedicado à reanimação da antiga feitura de bonecos de madeira. Todos de holandeses, todos por certo bem intencionados, todos com o propósito de fomentar as "férias activas". E só Deus sabe quantos mais estrangeiros não andarão a percorrer o meu país com o fito de lá se estabelecerem com projectos idênticos, também "culturais" e do mesmo modo bem intencionados. Eu provavelmente deveria sentir-me feliz com esse súbito interesse por Portugal — interesse, diga-se de passagem, a que não são estranhos os generosos subsídios dos eurocratas — e todavia não consigo reprimir um sentimento de irritação. Fossem os senhores, como outros já foram, incentivar a agricultura ou sacudir a letargia da indústria, ganhar dinheiro no comércio, brilhar nas artes, eu aplaudiria. Mas querer erigir "aldeamentos pré-históricos" para que os turistas possam durante duas ou três semanas "viajar no tempo" e, vestidos de peles, dando urros primevos, libertar-se das neuroses que os afligem, são iniciativas que em mim só causam aversão. E as dos bonecos, as das flautas, do pastoreio e as do resto, idem. [...] Carta completa na edição em papel... |
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