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Black Sun EditoresUm sui generis lugar ao solTexto de Rui Ângelo AraújoA Black Sun Editores é voluntariamente ecléctica e conscientemente irregular (entre outras coisas, na qualidade). Poderia ser uma espécie de instituição de caridade para autores em busca de publicação. Poderia ser uma editora alternativa. Poderia ser uma editora subterrânea. Poderia, até, nem ser uma editora, já que o próprio editor a define como uma «pequeníssima, quase inexistente editora», com «pouquíssimo ou nenhum» impacto no país. De resto, ainda que tenha sede em Lisboa, o facto paradoxal é que ela «existe sobretudo fora de Lisboa». Se o nome da editora nos remete para regiões obscurantistas, o mote que surge na contracapa das edições ("The Impossible Papers") faz-nos crer que estamos, definitivamente, no universo marginal, subterrâneo que desde o início suspeitávamos. E, no entanto, Fernando Guerreiro nega que essa seja a intenção dominante na Black Sun Editores. A Black Sun não gosta de manter um low profile, não tem o culto do "subterrâneo", como nós insinuámos. «Muito mais simplesmente gosta do ponto de vista do chão do cinema de Ozu...» Depois de lhe termos apresentado um questionário «parecido com os do IRS», mantivemos com o editor uma conversa que lançou alguma luz sobre o tema — uma luz negra, vinda do sol que serve de égide aos livros publicados por este professor da Faculdade de Letras de Lisboa. Ou seja: uma hora e tal de conversa e a dúvida manteve-se. Qual a linha editorial da Black Sun? «Não há verdadeiramente uma "linha editorial". Se há, permanece oculta. O critério mais geral é o de possibilitar a publicação do que, por diversas razões, poderia ficar por editar. Daí o eclectismo voluntário.» [...] Perfil completo na edição em papel... |
«O elitismo da qualidade cria dificuldades à massificação da cultura.» |