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Pulp Fiction

O riso

Texto de Filipa Melo | Ilustração de Pedro Vieira

Dizem que morri de indiferença. Que alguém grafou a palavra no atestado de óbito e que ninguém se deu conta de que ela não constava da lista ordenada de causas de morte. Eu não nego. Apenas não me é indiferente que não tenham anexado um adjectivo ao documento: violenta, "morte violenta". E explico.

Pára de gritar. Já disse. Pára de gritar! Sabes bem que não conseguirás já o que queres. Eu ainda existo, e ainda é cedo. Terminarei primeiro de rubricar os contratos. A menina Amélia encarregar-se-á de entrar por aquela porta daqui a uns minutos — seis, para ser preciso — e perguntar-me-á se necessito de mais alguma coisa. Que não, que pode sair — direi. Arrumarei os papéis em cima da secretária, fumarei um último cigarro e atenderei mais uns telefonemas. Só depois poderei fechar as persianas, colocar o telefone no gancho e recostar-me no cadeirão, junto à estante. Pára... já disse.

No dia em que concluí o curso de Direito, o meu pai fez uma festa, aqui, neste escritório. Eu limitei-me a convidar a Virgínia para jantar no Tavares e a pedi-la em casamento. Foi simples. Ela esperava o pedido. Formalizei-o entre o prato de peixe e o prato de carne, colocando-lhe no dedo o anel que a avó Joana determinara ceder-me para a ocasião. Ela sorriu e corou levemente. Disse que sim e, já em frente da sobremesa, marcou a data do jantar de noivado. Dois anos depois, nasceu o Jorge. Quatro, a Jacinta.

[...]

Conto completo na edição em papel...

[ilustração de Pedro Vieira]