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POR ACASO OU POR MIL COMBINAÇÕES QUÍMICASEste poderia ser um número temático. «Por acaso ou por mil combinações químicas», diferentes rubricas confluíram para uma nebulosa comum — que, no universo da literatura, é de facto uma nebulosa incomum: a Ciência. Na entrevista, após sucessivos adiamentos, Jorge Buescu, matemático e divulgador científico. Não tem livro recente (talvez em 2005), mas de qualquer modo desconfiamos quando o interesse de algo depende do calendário. Não é o caso. Na crítica literária, mais Ciência, ou uns ares da sua graça: abrimos os baús e procurámos o seu rasto sob a pele da Literatura. Encontrámo-la: Abbott, muito Calvino, Lightman. Tudo boas alternativas ao enfadonho mercado do trimestre (ou seria desatenção nossa?). Ciência ainda na BD (exactamente: também aí). Caso tenham passado em falso, voltem atrás: na badana pré-publicamos "A Insuspeitada Beleza do Teorema de Tutte", de José Carlos Fernandes. Mais BD (isso mesmo: venha a lapidação) na nova rubrica "Encontro de irmãos". A ideia inicial era passar para banda desenhada uma tentativa de poema deixada na gaveta — afinal, já havia uma banda desenhada sem palavras à espera destas. «Por acaso ou por mil combinações químicas.» Acreditem se quiserem. Mais coincidências («por acaso ou por...») em "A Barreira Invisível": J. Rentes de Carvalho fala-nos
de judeus, Pedro Paixão escreve sobre palestinianos. Os judeus são portugueses, mas coincidências exactas
só mesmo por encomenda. Não foi o caso: de um lado alguém que é da casa, do outro alguém que
bate à porta. Se há harmonia nas esferas, não nos cabe especular — quanto muito, tiramos partido dos
acordes. Publicamos aquilo de que gostamos: haverá melhor critério?
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