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Por quem os sinos dobram |
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O mosca-mortaTexto de Rui Ângelo Araújo | Ilustração de BoligánNos últimos meses, uma opção profissional roubou-me o tempo, a disponibilidade, exigiu dedicação exclusiva. Agora cheguei a casa e encontrei a musa morta. [...] Hoje, com lágrimas nos olhos e monco no nariz, sinto-me pesado, acabado, madraço, uma espécie de Miguel Esteves Cardoso. Pesam-me os membros e os dedos no tecladooooooooooooooo. Nem sequer me estimula, entedia-me, a apreciação da Telhados de Vidro por Carlos Bessa, esse que foi o nosso primeiro esboço de Dantas. Não é o país — esse, como se sabe, está buliçoso e criativo —, sou eu, que só já tenho mãos para me embalar no sono. É mais do que a minha musa morta: sou eu que estou um mosca-morta. Neste número da Periférica, perdoe-se-me a soberba, os sinos dobram por mim. No caso de comprar esta edição, leitor, passe em alto as páginas que assino — ou peça o seu dinheiro de volta. Artigo completo na edição em papel... |
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