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Para Daniel LaarmanTexto de J. Rentes de Carvalho | Ilustração de Alain VossMeu caro Daniel, A descoberta de que em tua casa manténs todas as gavetas abertas, sob o pretexto de que o abri-las e fechá-las corresponde a não sei quanta energia esbanjada e ao dispêndio anual de dezenas de preciosas horas, reavivou em mim o desconforto que sempre sinto na presença de excêntricos, poetas e matemáticos. Talvez porque inconscientemente me dou conta de que, sob um exterior prosaico, esses tipos de gente penetram em esferas que me são vedadas e usam linguagens fora do meu alcance. Dos matemáticos não quero falar, tão hermética se afigura a sua ciência a quem como eu que, desde a introdução da calculadora de bolso, logo deixou de fazer o único cálculo de que era capaz, o das quatro operações. Regozijo-me, aliás, de nunca ter encontrado nenhum. Se a minha admiração já é exagerada perante quem "sabe fazer bem contas", eu suponho que ficaria paralisado no confronto com alguém que dedica a sua vida a estudar os problemas da quantidade e da ordem e as propriedades da grandeza em abstracto. O simples facto de escrever tais palavras já chega para me causar um razoável entontecimento. [...] Carta completa na edição em papel... |
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