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Relatório Minoritário

 

1. A publicação de um dossier sobre Luiz Pacheco, trabalho de João Pedro George, revelou-se tarefa complicada — havia demasiado material interessante e pertinente para publicar e insuficientes páginas para o acolher. Como seleccionar? O que rejeitar?

Pois bem, resolvemos rejeitar quase nada. Poderia a Periférica não publicar o texto de Luiz Pacheco sobre o mecenato, numa altura em que se tem vindo a discutir as bolsas de criação literária (mesmo não sendo parte de nós a favor das bolsas)? Poderia a Periférica não publicar a carta inédita a Aires Pereira, que ilustra bem o dossier proposto, trabalho que tem o apoio activo de Luiz Pacheco e também cumpre uma vontade sua? Poderia a Periférica no seu juízo perfeito (considerando a hipótese académica de o ter) não publicar excertos — os que foi possível acomodar no espaço disponível — do ainda inédito Diário Selvagem?

Esta edição tem, assim, uma forte componente «pachecal», para usar uma expressão do próprio Luiz Pacheco. Numa primeira parte, o artigo «Luiz Pacheco em Massamá ou Retrato do Escritor quando Alcoólico», acompanhado de textos do autor. Mais para a frente publicamos, sem desnecessárias introduções, excertos do Diário Selvagem, desta forma inaugurando em grande a nossa rubrica de pré-publicações, O homem que sabia demais. (Em todo o rigor, o termo "pré-publicação" é aqui a expressão de um desejo: não sabemos quais os planos relativos ao Diário, mas apraz-nos pensar que um dia estará disponível para que possamos lê-lo na íntegra...)

Haverá queixas contra esta preponderância?

2. Mas O Oitavo Passageiro deste número é outra boa razão para ler a Periférica. O excelente e pessoo-borgesiano1 texto «Meia Dúzia de Vidas», do nosso convidado especial Suso de Toro, galego, vencedor do espanhol Prémio Nacional de Narrativa de 2003, só por si vale a fidelidade à revista (dizemos nós, que somos insuspeitos). Suso de Toro é quase inédito em Portugal (a D. Quixote publicou, em 1999, o seu romance A Sombra Caçadora). Mas no país vizinho a sua abundante produção tem merecido os louvores do público e da crítica. E agora calhou-nos a sorte de receber a sua mui especial autobiografia e três deliciosos microcontos.

3. Este número tem duas capas — indecisão nossa, lucro do leitor.

1 A questão de saber se é mais pessoano ou borgesiano deixamo-la para os especialistas. De qualquer forma, como já foi notado, Pessoa é um poeta inventado por Borges...

[Capa do n.º 8] [Contracapa do n.º 8]