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Para M. A. VeltmanTexto de J. Rentes de Carvalho | Ilustração de Alain VossPrezado senhor Veltman, As considerações que o senhor umas semanas atrás fazia no seu artigo "O livro e o dinheiro", tiveram o condão de me avivar a memória. No decorrer de já longos anos de actividade literária, e reflectindo sobre a desmesura de certos êxitos comerciais alheios e a modéstia do meu, também por vezes me ocorreu a pergunta se não seria possível aplicar à promoção da venda dos livros as mesmas técnicas de marketing que impulsionam os detergentes. E concluí que não. O senhor acha que sim. Com um orçamento de dois milhões e umas quantas condições acessórias — "Um/a escritor/a de boa aparência, e capaz de causar agitação, de produzir bons-mots, de mostrar opiniões controversas", mostrar-se com frequência, tomar parte em talk shows, etc... — a coisa parece-lhe fazível. Ao lê-lo não pude evitar um sorriso. Não pelos seus sérios argumentos, mas, como referi acima, devido a uma velha recordação. Quando em 1971 a venda do meu segundo romance, mau grado as boas críticas, se mostrava confrangedora, o meu editor português alvitrou que se eu lhe fornecesse em escudos de então o equivalente aos 25.000 euros actuais, ele garantia tornar o livro um best-seller e fazer-me passar da anonimidade à fama nacional. A fama internacional, essa requeria esforços mais vigorosos e somas mais avultadas. Aliás, pessoalmente, ele era a favor de uma estratégia de passo a passo. Mandasse eu o dinheiro. [...] Carta completa na edição em papel... |
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