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Os canhões de Navarone |
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RevelaçãoTexto de Rui Ângelo Araújo | Ilustração de Paulo AraújoMuita gente julga-me um pretensioso. Um emproado. Blasé. Como se tivesse chegado à literatura do mesmo modo que, digamos, há quinhentos anos se chegava ao Brasil — por acaso e com escorbuto. No que me diz respeito, não houve acaso, bien sûr, já que se tratou de uma herança. E quando sinto falta de chá de limão fico mais peçonhento do que com úlceras nas beiças. [...] O que mais contribui para a minha notoriedade não são as longas noites de vigília a folhear os clássicos, a recensear as novidades, a tentar decifrar Maria Gabriela Llansol. Não é a perseverança na escrita, a depurar um estilo, a esculpir uma voz. Não é, sequer, a tradicional espera pelo anjo que anuncie ter fecundado em mim a Minerva (até porque isto seria algo contra naturam). O meu sucesso está dependente apenas da minha vontade e, sobretudo, da noção do timing certo. Tenho-o conseguido inúmeras vezes — mas falta-me uma inequívoca consagração. [...] Artigo completo na edição em papel... |
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