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Striptease

Eduardo Brum

Tinta Permanente

Texto de Rui Ângelo Araújo | Ilustração de Paulo Araújo

Esta era para ser a história da editora Tinta Permanente. Uma editora geograficamente periférica que edita a única e bem sucedida revista de contos portuguesa, a Ficções. Mas quando começámos a mexer na matéria, a buscar informações, a estabelecer contactos — a brincar ao jornalismo de investigação, em suma — notámos que não fazia muito sentido falar da Tinta Permanente sem fazer o perfil do "louco" que está por detrás da editora. Eduardo Brum. Açoriano. De Rabo de Peixe. Eis, pois, um cruzamento entre um homem e uma editora. Uma entrevista cibernética com o editor e o perfil de Eduardo Brum, entrelaçados.

Luísa Costa Gomes e Abel Barros Baptista tinham um projecto: editar uma revista de contos. Havia o apoio do Instituto do Livro e da Biblioteca, mas as coisas com as editoras não corriam lá muito bem. Em Agosto de 2000, Luísa recebe um telefonema. Eduardo Brum, um açoriano director de um jornal em S. Miguel, tomou conhecimento do projecto e estava interessado em editá-lo. Sozinho, se fosse o caso. E foi. Nasce assim a Tinta Permanente, e nasce assim a Ficções.

[...]

Acha que o sucesso perante a crítica de O Caderno Negro, de Cláudia Clemente, é dissociável da fotografia da contracapa?... Crê que Eduardo Prado Coelho (Mil Folhas), Pedro Rolo Duarte (DNA) e José Prata (O Independente e Os Meus Livros), por exemplo, escreveram apenas por razões literárias?

— Não leve a mal a minha provocação, mas isso é o mesmo que me perguntar se acho que o interesse da revista Periférica (que no seu número anterior publicou um conto de Cláudia Clemente) é dissociável da fotografia da contracapa d' O Caderno Negro! Sinceramente: creio que os critérios de avaliação literária de Eduardo Prado Coelho, Pedro Rolo Duarte, José Prata e Rui Ângelo Araújo estão longe de depender da mera aparência estética de uma autora. [...] Por mim, respondo: o que influenciou a minha decisão foi ter a clara percepção de que O Caderno Negro é apenas o primeiro livro daquela que poderá vir a ser, nos próximos anos, uma das melhores contistas portuguesas.

[...]

Entrevista completa na edição em papel...

[Eduardo Brum por Paulo Araújo]

«Considero o Eduardo uma pessoa extraordinária, com a dose certa de loucura, excentricidade, sentido de humor e coragem.» [Cláudia Clemente]


«Como escritor, como editor, como gestor, não lhe interessam a fama e o lucro, mas o gozo e a perseguição da excelência. Não será isto pelo menos estranho?» [Luísa Costa Gomes]