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Quo Vadis?

Francka

«Um país só é pouco»

Texto de Rui Ângelo Araújo e Fernando Gouveia

Indagado sobre o que é que se publica de interessante na Galiza, o livreiro de Vigo indicou dois livros duma nova editora: a Francka. Trouxemo-los. A ideia era publicar na Periférica gente nova da Galiza. Contactámos a editora, esta indicou-nos Beatriz Dacosta, cujo livro Precipicios, por sinal, vinha recomendado na revista Qué Leer?.

Enquanto publicávamos os textos de Beatriz na nossa última edição, íamos percebendo na Francka Editora uma atitude curiosa, com várias nuances que nos eram simpáticas. Desde logo a perifericidade assumida sem preconceitos nem lamentações. Depois, um cosmopolitismo contraposto à exaltação do umbigo. Ainda, a vontade de ir à luta com profissionalismo. Era suficiente. Tínhamos já agendado para este número uma entrevista com o editor da Tinta Permanente, mas achámos que valia a pena explorar, em paralelo, duas realidades editoriais com o seu quê de singular.

[...]

Franck Meyer, o nosso interlocutor, é do estado alemão do Sarre, na fronteira com a França, uma região que nos últimos cem anos mudou várias vezes de nacionalidade. O seu pai é funcionário de alfândega. A mãe é francesa, da vizinha Lorena, onde Franck também nasceu. [...]

Porquê um editor franco-alemão na Galiza, a editar em galego?

— Pelas circunstâncias. Comecei a trabalhar na edição galega em 1997, na Editorial Galaxia de Vigo. Antes estava na Universidade de Trier, onde, por certo, há um Centro de Documentação de Portugal e outro dedicado à Galiza. Considero a edição como uma paixão, como uma profissão e como uma vocação. Ao morar na Galiza, então, compreende-se que tenha optado por iniciar a aventura desta editora.

[...]

Só publicam livros em língua galega?

— De momento, sim, só livros em galego.

É uma afirmação político-cultural, ou a exploração de um nicho de mercado?

— As duas coisas e nenhuma delas. Em primeiro lugar, é uma questão de conhecimento de um mercado determinado. Conheço o mercado galego, de forma que publico os livros para esse contexto. Mas o próprio nome da editora, escolhido intencionalmente, permite a possibilidade de nos movermos em três mercados diferentes: o galego, o português e o espanhol. Depois de uma fase de assentamento, seria imaginável, portanto, uma ampliação a outras línguas e literaturas. Porém, é lógico que se comece num contexto conhecido. Ora, é certo que também há algo como essa afirmação político-cultural que se menciona na pergunta.

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Entrevista completa na edição em papel...

[Franck Meyer fotografado por Anxo Abalo]

Fotografia de ANXO ABALO

«A editora foi fundada no Dia Internacional do Livro (23 de Abril) de 2002 [...]. Era uma maneira explícita de nos inscrevermos numa tradição internacional e de nos demarcarmos do ghetto triste em que se converteu o Dia das Letras Galegas (17 de Maio) [...]. Em vez da necrofilia, a força dos vivos.»