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Quo Vadis?

Cavalo de Ferro

Texto de José Prata | Fotografias de Nuno Portugal

À conquista de Tróia

Para conquistar Tróia bastou um cavalo de madeira, e a astúcia grega de lá dentro esconder um exército. Mais difícil tomar de assalto o mercado editorial português, Diogo Madre Deus e Hugo Xavier precisaram de um Cavalo de Ferro. Criaram a editora em 2002, durante um ano blindaram a estrutura, tornaram-na resistente ao mais exigente dos críticos. Dela começaram a sair em Fevereiro autores escolhidos a dedo, protegidos por um grafismo brilhante, servido em cores metalizadas. O engenho fez o resto, os dois jovens guerreiros descobriram o ponto fraco dos troianos: «Em Portugal 82 por cento das traduções são feitas a partir do inglês e do francês; autores de outras línguas ou não são traduzidos ou são-no a partir de línguas que não as originais.» Rumaram portanto para Leste e trouxeram de lá um Prémio Nobel, Ivo Andric, que traduziram do servo-croata; mais a norte descobriram Jonas Lie, e nem o norueguês antigo os intimidou. Apostas arriscadas, a que juntaram autores mais populares, como a italiana Romana Petri ou o (por cá) ilustre desconhecido Wladimir Kaminer. «Tínhamos dinheiro suficiente para fazer quatro livros, se eles não vendessem a editora acabava.» Conseguiram vendê-los, convenceram público e crítica, gregos e troianos.

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Artigo completo na edição em papel...

[Os editores da Cavalo de Ferro]

«Estamos a ser avaliados pelos livros, o que é muito melhor.»