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O buraco da agulha

Longe da retórica, perto do coração

Texto de Vítor Nogueira

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Seis anos depois da obra que lhe deu visibilidade, Rui Pires Cabral regressa aos escaparates com Praças e Quintais (numa edição da Averno), seguramente um dos mais belos livros de poemas publicados ultimamente em Portugal.

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Mais do que uma poesia transparente, encontramos aqui uma poesia translúcida, que se deixa apreender apesar de toda uma constelação íntima de conotações e sentidos, partindo do real (e é daí que tem partido muita da melhor poesia que hoje se escreve em Portugal), mas sabendo evitar o realismo e os riscos que ele comporta. Assim se coloca diante do leitor a possibilidade de ele próprio se rever em atmosferas comuns, em pequenos grandes nadas: a solidão, os amigos perdidos, a passagem do tempo e dos lugares, até porque «de repente, com a volta/ das estações, damos por nós muito mais velhos/ nas fotografias» (p. 11). E contudo, «acreditando talvez que ninguém envelhece/ em vão, que todas as batalhas [...] hão-de servir/ no futuro» (p. 45), são justamente «as incertezas da maturidade» que também permitem ao poeta sucessivos reencontros (consigo próprio, inclusive) e até o regresso à infância em belíssimos poemas como "Serrim" ou "Rua da Estação".

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Artigo completo na edição em papel...

[Capa de 'Praças e Quintais', de Rui Pires Cabral]