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Por quem os sinos dobram

A Crítica da Crise

Texto de Rui Ângelo Araújo

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Explico. Pela observação do espécime português, julgo que este compra livros em função duma outra máquina que não a da crítica. Uma máquina menos teórica, menos conceptual, menos dada a epistemologias e reflexões à beira-rio. Uma máquina desenvolvida em laboratório por gente que se interessa pela Psicologia, é certo, mas por aquela Psicologia de nono ano escolar, a do estímulo e da reacção, a de Pavlov. Os portugueses compram livros em função da campainha certa que alguém sabe fazer soar no momento certo. A crítica está ausente do mercado livreiro. O que faz andar a livralhada é o marketing. Só.

Daqui resulta que o crítico não tem leitores fora do círculo desenhado pelos outros críticos, pelos autores, pelos editores, pelos candidatos a autores, pelos jornalistas, por um ou outro diletante. Resulta que só existe a crise de não existir crítica que conte fora do círculo.

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Artigo completo na edição em papel...

[capa da revista 'Apeadeiro' n.º 3]