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Pulp Fiction

O poço

Texto de José Prata | Ilustração de Rui Lúcio Carvalho

[Ilustração de Rui Lúcio Carvalho]

O poço começou a atormentá-lo pouco depois de ter comprado a casa. Uma casa bonita, branca, baixa, agarrada ao monte como uma lapa. E à volta dela o campo, vagamente ameaçador desde os primeiros dias, quando negociava ainda o preço com a herdeira — uma mulher alta, magnífica, manchada por uma sombra de buço, fruto de anos a fio de obsessiva depilação; e senhora de um rabo incongruente que as calças nunca permitiram desvendar; grande, sem dúvida, cada nádega uma saca de café cheia, as duas a roçarem ao encontro uma da outra, a fenda sem espaço para respirar.

Percorreu a propriedade com os olhos postos naquelas nádegas portentosas, que à sua frente abriam caminho; ele sempre alguns passos atrás, a pisar com cuidado o matagal, zeloso dos sapatos e calças inapropriados; e atento às calças dela, que reduzia à condição de rabo, uma tendência deveras antiga. A herdeira sabia o nome das coisas, distinguia as árvores, sobreiros, azinheiras, figueiras. Falava em hectares, aquela medida misteriosa que o potencial comprador associava à escola da era primária, provavelmente pré-nádegas, mas não seria capaz de jurar.

[...]

Conto completo na edição em papel...