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Pulp Fiction |
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Morrer de desejoTexto de Beatriz Dacosta | Ilustração de Francisco LameirãoElisa morre de desejo. É horrível viver assim, cobiçando corpos que nem te olham, ou se te vêem, notas o nojo que lhes dás, e uma pessoa, claro, fica com cara de mono depois de insinuar, então, miúdo, vens brincar na minha papoila? Elisa, com as sempre suas artes de sedução em alerta máximo, de saia cingida ao escultural sorriso de morango, continua a cobiçar. Perde-se pelas humidades das bocas e não pode evitar perguntar, debruçando-se para o pescoço, então, miúdo, queres dar hoje uma foda comigo? A perplexidade do homem percorre a resposta até acabar em indiferença quando a mulher vai embora a caminho de casa e pensa nas múltiplas negativas padecidas desde que Elias e ela se separaram. Crê que, se calhar, sofre de protuberâncias de melancolia, apendicite rugosa ou uma que outra osteoporose divagativa com os efeitos secundários de produzir pêlos na pele e repugnância. Ao chegar despe-se e auto-explora-se como numa aventura de safari fotográfico, de cima a baixo, de baixo a cima, estranha o seu perfil que se reflecte com agónica gravidade no espelho do seu quarto. Um medo irreconhecível penetra-a pela voz. Auto-chama-se a fim de não se extraviar, Então Elisa, miúda, estás aí? [...] Tradução: María Xosé López Conto completo na edição em papel... |
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