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Pulp Fiction |
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RosárioTexto de Cláudia Clemente | Ilustração de Elza GarciaA velhota fechou o portão e desceu lentamente os três degraus, com todo o cuidado para não cair. Lembrava-se ainda demasiado bem dos meses passados na cama, imobilizada por ter partido uma perna, todos aqueles dias deitada, a pintar, a ver televisão, a pintar, um ano de cama e auto-retratos, como esquecê-lo. Atravessou o pátio atravancado pelas suas esculturas antigas, onde agora as térmites se entretinham a escavar túneis. A pedra funerária do seu marido, um totem que nunca chegara a acabar, estava coberta de teias de aranha. Passou pela gaiola dos papagaios, vazia desde que os ratos os tinham comido. Ocupava demasiado espaço, tinha de ganhar coragem e pedir ao filho que numa das suas visitas a levasse e a deitasse fora, mas nunca sabia quando é que ele ia aparecer. Entrou em casa, cambaleando, agarrando-se com cuidado à parede de pedra. Se quisesse, podia fazer o percurso por toda a casa, ou pelo menos pela parte que ainda utilizava, já que tinha abandonado os dois andares de cima, de olhos fechados. Conhecia aquelas paredes como a palma das suas mãos, tinha erguido cada uma delas, uma a uma, pedra por pedra, com o marido, aquela casa tinha sido apenas mais uma das suas obras. Desde o primeiro dia em que tinham vindo à aldeia para visitar o amigo escritor e tinham visto as ruínas, foi claro para ambos que tinham de a reconstruir. [...] Conto completo na edição em papel... |
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