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Granta: notícia de uma entrevistaTexto de Rui Ângelo AraújoQuando planeávamos a Periférica, alguém (creio que o "padrinho" Rentes de Carvalho) nos falou brevemente da Granta. Havia pontos comuns às duas ideias — e, está claro, 23 anos a separá-las. Na altura conhecíamos mal a Magazine of New Writing. Mas que houvesse alguma proximidade nos conceitos ficou-nos sempre atrás da orelha. Um de nós fez a assinatura. Em 1979, um grupo de rapazes em pós-graduação na Universidade de Cambridge decide dar nova vida a um defunto jornal de estudantes e, sob o mesmo título (o antigo nome do Rio Cam), iniciaram a publicação de uma revista literária. A nova Granta tinha grandes ambições: tencionava atrair escritores e leitores bem para lá das fronteiras da universidade. Como sublinha o actual editor, Ian Jack, na edição comemorativa dos 21 anos da revista, «isto era uma ideia ousada». Aliás, «todas as revistas literárias são ideias ousadas; muitas vezes — se calhar quase sempre — tornam-se ideias ousadas falidas, ou ideias ousadas que se ficam por o serem e nunca chegam à tipografia». Não foi o caso da Granta. A revista nascia incomodada. Os rapazes, com Bill Bufford como director, olhavam para a ficção contemporânea inglesa e sentiam que lhe faltava alguma coisa. Com raras excepções, achavam-na "insular", "encerrada". O primeiro editorial era demolidor. Donde viria a salvação? Conta Ian Jack que «a Granta não tinha dúvidas: dos Estados Unidos, terra de alguma da mais desafiadora, diversificada e arrojada escrita» daqueles dias. O primeiro número da revista intitulou-se New American Writing... Entretanto a revista tornou-se um sucesso, não só porque não soçobrou, mas porque marcou (e marca) indelevelmente a escrita em língua inglesa. E, curiosamente, só porque publica e descobre autores, não porque discuta as premissas da "nova escrita", já que a Granta não publica ensaios, recensões ou crítica literária. Na nossa permanente busca de vítimas e passageiros para esta nave de loucos chamada Periférica, havia de calhar no número cinco vir-nos à memória a revista de Londres. Fazer de Ian Jack «O Oitavo Passageiro» parecia-nos interessante — mas queríamos mais. Na troca de impressões que se seguiu ao convite, foi o próprio editor da Granta a sugerir-nos a publicação duma entrevista que ele achava particularmente esclarecedora. Lemo-la. Concordámos. Conseguidos o contacto e a cumplicidade do entrevistador, o jornalista Justin Webster, trazemos para as páginas da Periférica, não só uma crónica do actual editor da Granta, como uma entrevista inédita em português. Já dissemos no início: há pontos comuns entre a ideia fundadora da Granta e a Periférica.
A diferença é que nós ainda precisamos, bem sabemos, de mais um tempo para podermos usar o subtítulo:
A Revista da Nova Escrita.
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