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Editorial |
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A fazer o quatroO mais surpreendente não é que tenhamos conseguido fazer o quatro — tal a quantidade de Grant's necessária para mover a máquina periférica. O mais surpreendente não é a língua em que é escrita esta revista — o português. O que mais surpreende não é a origem destas folhas agrafadas — Portugal, mesmo que a impressão seja espanhola. O mais surpreendente não é, sequer, a manifesta heroicidade dos vilarelhenses. O MAIS SURPREENDENTE É QUE OS REPRESENTANTES DA GRANT'S AINDA NÃO SE TENHAM CHEGADO À FRENTE COM O PATROCÍNIO DEVIDO POR TANTA E TÃO QUALIFICADA PUBLICIDADE. Poderíamos, neste editorial (tínhamos lata para isso), fazer o auto-elogio da Periférica. Pela sua persistência, pelo seu louco programa, pela sua existência. Poderíamos mostrar enorme gratidão pela qualidade daqueles que aceitam colaborar connosco nesta empresa messiânica (mas não proselitista) — ao mesmo tempo que elogiávamos intrinsecamente, merecidamente, a qualidade da revista que fazemos. Até o poderíamos fazer com disfarce (falhando-nos a grande lata, sobra-nos sempre um certo cinismo). Mas não o fazemos. Estamos humildes. Outra coisa nos preocupa. O patrocínio. SURPREENDE-NOS QUE OS REPRESENTANTES DA GRANT'S AINDA NÃO SE TENHAM CHEGADO À FRENTE COM O PATROCÍNIO DEVIDO POR TANTA E TÃO QUALIFICADA PUBLICIDADE. Mais urgente do que apregoar as virtudes da Periférica é assegurar os stocks de combustível, agora que a guerra está aí. Mais importante do que apresentar esta edição é asseverar que alguém pague a conta na tasca. Mais premente (para usar um sinónimo) do que dizer ao país que há gente (nós, os nossos colaboradores e os nossos convidados) que se está nas tintas para o "gosto médio" português é publicitar este escândalo nacional: É VERGONHOSO QUE OS SENHORES REPRESENTANTES DA GRANT'S AINDA NÃO SE TENHAM CHEGADO À FRENTE COM O PATROCÍNIO DEVIDO POR TODA A PUBLICIDADE (E CONSUMO) COM QUE BRINDAMOS O PRODUTO QUE VENDEM. Não pensem que é a bebedeira a falar. Afinal, ainda conseguimos fazer o quatro.
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