Se está a ler este parágrafo é porque o seu browser não suporta convenientemente folhas de estilos CSS (Cascading Style Sheets). Sugerimos que actualize o seu browser, pois caso contrário o aspecto deste site será muito diferente do planeado, se bem que continue a ser legível. As versões recomendadas dos browsers são: Internet Explorer 6.0 (5.5 já é bom), Netscape Navigator 6.2 (6.0 já é bom) e Opera 6.01.
Editorial |
ÍNDICE | FOLHEAR | ASSINATURAS |
A cada um o Dantas que mereceCedo o dissemos: «Não somos nenhuma nova escola estética, não vimos fazer nenhuma revolução literária ou artística. Não somos a salvação de Portugal.» Mas há quem não acredite. Há quem teime em querer ver nesta revista promessas de maravilhas, anúncios de páginas salvíficas, juras de novidades redentoras, o céu na terra, enfim. Lamentamos. Não vamos por aí. Claro que o pouco que prometemos («a resistência à iliteracia e à mediocrização») é quase revolucionário neste país. Isto não é exagero nosso — mas é incompetência nacional. A nossa resistência (a nossa paradoxal revolução, para exagerarmos nos termos) o mais que trará de acréscimo é alguma dificuldade de classificação. A Periférica talvez seja, no máximo, inclassificável. E isto até podia servir de insulto — mas parece apenas baralhar as voltas a alguma gente. À nossa "inclassificável resistência" convêm, obviamente, a publicidade, a contestação, a polémica. Agrada-nos, portanto, que haja quem salte ao caminho da Periférica como Dantas a Orpheu (permitam-nos a modéstia). Vamos mais longe: ao terceiro número, convinha-nos mesmo um Dantas. Alguém que nos apontasse veleidades, misérias, arrogância, petulância. Alguém que, em suma, nos reduzisse à nossa pequenez. E, de caminho, nos fizesse vender mais uns exemplares. Até tínhamos pensado em incluir o anúncio, em jeito de desdobrável: «Procura-se Dantas. Alguém disposto a fazer o papel de contestatário duma nova revista. Asseguramos um lugar na História.» Já houve quem se perfilasse. O jovem José Mário Silva, no DNA, por exemplo. Mas aquilo foi reacção a quente e ficámos amigos, o que não convém à tradição. A seguir, no Expresso, veio Carlos Bessa, ainda por cima em dia de fiéis defuntos. Esforçou-se, claro, mas também não foi desta que entregámos o prémio. Queremos um Dantas, é certo. Queremos um Dantas mesmo a sério. Um Dantas que valha a pena. Queremos escrever em letras gordas «Morra Dantas! Morra! PIM!» A cada um o Dantas que merece.
|
«Queremos um Dantas, é certo. Queremos um Dantas mesmo a sério. Um Dantas que valha a pena. Queremos escrever em letras gordas "Morra Dantas! Morra! PIM!"» |