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Febre de Sábado à Noite |
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Maus Hábitosum espaço uppergroundReportagem de F. Gouveia, Carlos Chaves e Rui A. AraújoÀ primeira vista ninguém diria. Fica mesmo em frente ao Coliseu do Porto, no quarto andar de um prédio dos anos 30 que alberga uma garagem de recolhas. Cá em baixo nada indica a existência de algo diferente — a caixa do correio anuncia um certo Daniel Pires, nada mais. Sobe-se, sai-se no tal quarto andar — e então sim, aparecem os primeiros cartazes, colados numa porta zincada de grandes dimensões. A medo (a porta está fechada, duvida-se de se tratar de um espaço público), toca-se à campainha. Espera-se um pouco, ouvem-se passos, abre-se a porta - atende-nos o Super Homem, ou pelo menos quem lhe veste a pele. Dentro é o Maus Hábitos, local de artes, música e copos. Um espaço alternativo no roteiro cultural do Porto que só não é underground no sentido urbanístico do termo. Somewhere, over the rainbowNo princípio, Maus Hábitos, se era um espaço, era-o apenas na cabeça de algumas pessoas ligadas às artes e à sua formação. «Maus Hábitos foi um nome sugerido por um amigo meu, João Baeta, quando se inaugurou uma série de exposições por um grupo de artistas; quando esse grupo se reunia a exposição era apelidada de Maus Hábitos», explica Daniel Pires, o nosso interlocutor. «Como havia muitas ideias e não havia espaço [próprio], a coisa andava sempre assim, um bocado ambulante. Entretanto eu descobri isto...» Isto é um apartamento de quase 700 m2 situado bem em frente ao Coliseu do Porto, sobre o qual uma sala envidraçada tem uma vista magnífica. Daniel Pires descobriu-o em Agosto de 1999, depois de algum tempo a perscrutar, de nariz empinado, os prédios da Baixa portuense. «Visto que 60% da cidade está abandonada, não tem nenhuma densidade populacional em termos de habitação, pareceu-me um sítio interessante para procurar.» A procura deu resultado e o local ideal surgiu: muito degradado, depois de dezassete anos de abandono, necessitando desesperadamente de obras de recuperação, mas com muito espaço. O ano de 2000 foi gasto nessas obras e no «pensar do espaço», chegando o grupo — Daniel Pires, Isaque, João Baeta e outros — ao compromisso que permitiria viabilizar o projecto: uma vasta área de exposições temporárias espraiando-se por todo o piso, uma sala para espectáculos de música, poesia e outras performances, um pequeno bar para melhor acolher as pessoas — e uma casa para os proprietários viverem (divisões tentadoramente assinaladas com uma lacónica placa de "Fechado"). «Nota-se um respeito grande pelo espaço — mais agora, porque isso é uma coisa em que as pessoas tiveram de ser educadas; tiveram de ir percebendo que, apesar de o espaço ser público, há aqui qualquer coisa de privado.» [...] Reportagem completa na edição em papel... |
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