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Quo Vadis? |
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como são, o que pensam e o que move algumas editoras de menor dimensão. periféricas, talvez.AntígonaPerfil de Rui Ângelo Araújo e Carlos ChavesPânico. Ligada a corrente, conectados os auscultadores, pressionado o play... e as arrastadas circunvoluções da cassete apenas soltam uns murmúrios entrecortados por ruído. Muito ruído. A entrevista ao editor Luís de Oliveira (ou à Antígona-editora, como preferirem) não existe. Sentimos nos ossos o cansaço da rápida viagem a Lisboa. Ecoa-nos na cabeça a voz suave e pausada do editor. Mas não temos provas de algum dia termos falado com ele. Já trocámos de leitor de cassetes, consultámos um especialista aposentado do SIS: nada! Impossível provar que aqueles sussurros, que a espaços se interpõem à incansável rebarbadeira nos auriculares, sejam as declarações de Luís de Oliveira. Não houve entrevista. E quase íamos jurar o contrário. Quando, sentados na esplanada da Brasileira, em conversa animada com o Pessoa sobre o seu O Banqueiro Anarquista publicado pela Antígona, perguntámos pela Rua da Trindade, estávamos convencidos de que iríamos desempenhar com probidade a tarefa. Não desempenhámos. O que se segue não é, portanto, a conversa desejada. Mas não desista o leitor. A nossa memória da entrevista que não existiu (largamente auxiliada por algumas publicações que deveras existem) há-de conseguir o perfil que propomos. Se não há provas de, descendo para o Quartel do Carmo, termos subido as escadas do n.º 5 para entrarmos no 2.º Frente, não significa isso que não possamos contar-lhe como evoluíram os "vãos de escada" nos últimos anos. A Antígona é uma editora subversiva. Que se saiba, ninguém da Antígona andou a colocar bombas nas esquinas dos poderes, mas a editora, que escolheu a palavra como arma contra «os poderes constituídos e demais valores decrépitos», tem deixado muitas páginas de nitroglicerina espalhadas por sítios estratégicos deste país. Iniciou as hostilidades em 1979 e baptizou-se com o nome de uma personagem de Sófocles que «representa uma ideia central de desobediência, duma desobediência portadora de subversão»: a Antígona, «figura universalmente conhecida pela importância terrível da palavra proclamada no seu devido tempo, da palavra que compromete e expõe.» O título inaugural (Declaração de Guerra às Forças Armadas, de Custódio Losa), com o texto onde a editora se apresentava, estabeleceu sem margem para dúvidas o percurso a seguir. Desse percurso fazem parte, além das 136 obras publicadas até agora, constantes tomadas de posição que vão confirmando, de um modo ou de outro, os princípios da editora, e ajudam à construção de «um pensamento subversivo». [...] ![]() Perfil completo na edição em papel... |
«Há sempre o medo de poluir mais o mundo, mas seguramente vou escrever sobre a minha experiência na Antígona.» |