Se está a ler este parágrafo é porque o seu browser não suporta convenientemente folhas de estilos CSS (Cascading Style Sheets). Sugerimos que actualize o seu browser, pois caso contrário o aspecto deste site será muito diferente do planeado, se bem que continue a ser legível. As versões recomendadas dos browsers são: Internet Explorer 6.0 (5.5 já é bom), Netscape Navigator 6.2 (6.0 já é bom) e Opera 6.01.

Fahrenheit 451

Beats, Outsiders e censura branca

Crítica de Helena Barbas

Tido como «Beat» honorário pelos poemas que começa a publicar em revistas underground, Charles Bukowski (1920-1994) desconfia desta arte pretendendo apenas ser considerado escritor: «dizer que sou poeta põe-me na companhia de versificadores, entusiastas do néon, loucos, broncos e vigaristas mascarados de homens sábios». Nasceu na Alemanha em 1920 — um pretexto para se fingir nazi e chocar os colegas de escola — embora tenha vivido em Los Angeles. Entre 1941-51 trabalha nos correios da cidade, vindo a aproveitar o local e o tema como base para o seu primeiro romance agora em português. No prefácio, Löcklin enquadra autor e obra: «começou como um Outsider (publicando numa famosa revista com o mesmo nome) e é bem possível que se mantenha sempre um Outsider em relação aos meios académicos e literários, banido do «cânon oficial», mas destacando-se monumentalmente num cânon alternativo, lado a lado com Sade, Henry Miller, Anaïs Nin e outros...» (pág.10)

Em Post Office, publicado em 1971, surge pela primeira vez Henry Chinaski — depois retomado em Factotum (1975) e Women (1978) — um alter-ego do autor, o anti-herói, sempre bêbado, exprimindo-se na linguagem poética dos becos com o olhar honesto da ressaca. Num registo fragmentário, acompanhamos as distribuições diárias de um carteiro desajeitado que gosta de música clássica e aposta em cavalos.

Foi o próprio Bukowski quem alimentou a ideia de que os seus textos são autobiográficos, consolidando-a no guião para o filme de Barbet Schroeder, Barfly, onde é interpretado por Mickey Rourke. Mas há sempre que desconfiar de semelhanças primárias. Além da capacidade de auto-marketing, facilidade na criação de mitos, do gosto pela provocação que Bukowski demonstra (como outros tantos na literatura e etc.), a personagem do «outsider» que não faz nada de sério é muito aceitável e aplaudida, satisfazendo um secreto desejo de perigo e justiça dos puritanismos americanos. Bukowski adorava BMW's e comprava-os a pronto. Um bom ponto de partida para mais informações sobre autor e obra em: http://www.levity.com/corduroy/bukowski.htm


[...]

Mais crítica na edição em papel...

[Capa de 'Correios', de Charles Bukowski]


Charles Bukowski, Correios, trad. Marisa Mourinha, Canguru, Lisboa, 2002, 230 págs., 15,50 euros. Em português, tínhamos já South of no North (1973), A Sul de Nenhum Norte, Relógio d'Água, 1970, 1997; Mulheres, Dom Quixote, 1985, 1992, 2001; e Bring Me Your Love (1983), Dá-me o teu amor, Hiena, 1985.