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Periférica:para Ler DevagarTexto de apresentação do n.º 2 (Livraria Ler Devagar, Lisboa, 06/09/2002)Vir a Lisboa apresentar a Periférica não é a actualização da máxima «Se Maomé não vai à Montanha, vem a montanha a Maomé», por mais mouros que aqui haja ou ressonâncias serranas em Trás-os-Montes. Só vimos aqui para que o país se vá habituando à nossa presença. Não se trata apenas de apregoar as virtudes da revista, mas de encetar novas possibilidades nacionais. A de um país ao contrário, por exemplo: a capital de olho na província. Temos motivos bastante humildes, portanto.
Se fizéssemos a revista em Lisboa, esta nossa apologia da globalização seria redundante ou pindérica. Assim é glamorosa. E tem razão de ser. Do total de pessoas que fizeram o número dois da Periférica, 16% são estrangeiras, 8% são portugueses que vivem no estrangeiro e 36% não vivem em Trás-os-Montes. (Ah, e 4% receberam o Prémio Nobel...). Transmontanos são uma minoria.
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Capa: «A Periférica é, com certeza, uma revista egocêntrica (Egoísta é a outra). Preocupa-a a visibilidade. Quer dar nas vistas. Só assim alcança o seu objectivo sério. Que se sobrepõe, como é evidente, ao folclore narcisista que cultiva.» |