Revista Periférica: |
O FIMFinda a Periférica, poucas coisas justificam a manutenção do blogue da revista. Adicionalmente, o texto do RAA apresentado logo abaixo é o carro-vassoura ideal para encerrar este capítulo. Por isso, o A Oeste Nada de Novo fecha as portas hoje: permanecerá online, como o resto da revista, mas não será actualizado com novas contribuições. Alguns de nós criaram já os seus blogues pessoais. De momento, são os seguintes:
Vemo-nos por aí. RP 06/03/2006 CONFISSÕES DE UM CANGALHEIROTalvez porque acabei de enterrar mais uma revista (a segunda em oito anos), percebo muito bem os suplícios do cangalheiro. Por dever profissional, o cangalheiro vê-se forçado no exercício da sua profissão a adoptar um ar circunspecto, respeitador, a guardar as risadas para mais tarde. O sr. Padre lembra aos familiares em pranto que somos pó e ao pó havemos de voltar (como prova o exemplar em apreço) e o cangalheiro tossica para disfarçar um súbito bocejo. O morto desce à cova, arrancado a ferros das mãos duma esposa inconsolável e particularmente histérica, e o cangalheiro solta umas lágrimas devidas ao esforço para suster o riso. A terra cai às pazadas sobre o caixão, a choradeira atinge níveis inimagináveis, com o séquito a competir pela mais disforme careta, e o cangalheiro, incapaz de conter as gargalhadas, afasta-se agarrado à garganta e ao peito com um violentíssimo ataque de asma. Adicione-se a isto a gravata preta e temos a punição completa imposta a quem faz do óbito alheio a sua profissão. A tarimba proveniente de um emprego a meias com a morte transforma o cangalheiro no mais profundo dos relativistas. A dor, sabe ele muito bem, não é definitiva. Nem o luto. E até a morte perde o ar façanhudo perante o seu olhar entediado. Não espantará, portanto, que, depois de passar o dia a simular compungimento, ao cangalheiro apeteça gargalhar. Logo que ele aparece na tasca — que, depois do cemitério, é o sítio onde se movimenta melhor — o seu estilo bem-disposto, zombeteiro, amigo das anedotas, reina. Ninguém faz rir mais do que o cangalheiro. Como o palhaço de nariz vermelho, tem um elemento que favorece o humor — o seu traje profissional, a gravata preta. Quando não está a sepultar alguém, a gravata preta do cangalheiro — pedaço de pano que ele nunca desamarra do pescoço — dá-lhe um ar desajustado. Assenta-lhe mal. Não é homem de elegância e fato completo. Usa-a com qualquer traje. A gravata preta não é um elemento estético, é um distintivo. Faz parte da sua profissão. Gosta dela. Usa-a com o fato de treino, se alguém morre a meio de um sábado. Com o colete da caça, se o decesso for ao domingo ou à quinta-feira. Se o óbito acontece na praia, é possível que o cadáver seja transportado por um cangalheiro em fato de banho — e gravata preta. A gravata preta do cangalheiro, como a morte, é omnipresente. O passamento anunciado da Periférica faz-me sentir como o cangalheiro. À minha volta há olhares de comoção, os amigos ou conhecidos chegam-se a mim transtornados, embaraçados, sussurram as frases feitas do sentimentalismo, «lamento muito», «é uma tristeza», «que país é este que deixa morrer assim os seus valores?», «morrem jovens os que os deuses amam», «o panteão, nada menos do que o panteão!». Os mais comedidos ou distantes, aqueles que conheciam o infeliz defunto mas não tiveram o grato prazer de conhecer pessoalmente os progenitores, ficam-se pelo tradicional e sincero «os meus pêsames», ou «os meus sentimentos», para evitar o palavrão em desuso. No centro do velório, eu tossico, esguicho lágrimas de riso estrangulado, sou acometido de violentos ataques de asma — e solto gargalhadas. Não tenho traquejo de cangalheiro antigo. Claro, é indelicado não ser sensível à emoção alheia, sobretudo quando somos também objecto da emoção. Mas compreendam, acima da progenitura está o brio da profissão — e até os cangalheiros têm os seus limites. Mas se evoquei os cangalheiros nesta crónica não foi em vão. Não me vi transformado num apenas por ter posto uma lápide sobre uma revista. Outras circunstâncias me têm feito reflectir sobre a vida destes homens deslocados, noutras ocasiões vi o mundo pelos olhos de um agente funerário. Mudo o décor, e o mármore dos jazigos dá lugar ao plástico das cadeiras numa sala de espera de um consultório ou hospital. Nestes outros palcos de sofrimento, a entrada de um livro provoca reacções semelhantes à chegada da gravata do cangalheiro ao sepulcrário. Os rostos voltam-se e nota-se o desprezo. Um leitor numa sala de espera é um cangalheiro num velório. Pode estar presente pela mesma razão (o médico), mas não sofre a espera, não está unido na dor com os demais impacientes. É talvez um delegado de propaganda médica, pretende sacar o dinheiro aos que velam (como o cangalheiro). Os portugueses não gostam de esperar e carpem bem alto esse infortúnio. No caso improvável de ser apenas mais um enfermo aquele que aguarda serenamente de livro na mão, virando página atrás de página, agudiza-se a irritabilidade. Não só porque o quadro lhes faz notar que o tormento pode ser amenizado com proveito. Mas sobretudo porque, ao não participar no berreiro, o enfermo-leitor revela pertencer a uma outra casta, a dos que sabem enfrentar com dignidade ou resignação as horas mortas — e isso é um snobismo inaceitável. Antes um cangalheiro hipócrita, dobrado de compunção. Eu, como já se viu, ainda não terminei a minha aprendizagem. Parte dos meus problemas de integração na nacional câmara-ardente vêm do facto de ainda não ter aprendido a guardar as risadas para mais tarde — embora comece por adoptar um ar circunspecto, respeitador. Mas não ignoremos que, lá fora, noutros espaços públicos, um livro na mão tem o mesmo efeito da gravata tosca no pescoço: provoca risos francos. Uniforme de cangalheiro em dia de folga e livro fora da prateleira são adereços desajustados como calças largas de palhaço fugido da tenda. RAA 06/03/2006 (Publicado originalmente na edição de Março da revista Os Meus Livros) ASSISTÊNCIA MÉDICA INTERNACIONALO fim da Periférica ao 14.º número ditou o nosso incumprimento de algumas assinaturas anuais. Colocados perante três possibilidades (receberem de volta o dinheiro da diferença, receberem em alternativa outros números da revista, ou prescindirem do dinheiro a favor da Fundação Assistência Médica Internacional (AMI), é com satisfação que verificamos que a esmagadora maioria dos assinantes que já responderam optou pelo donativo à AMI. Em nome da redacção da Periférica e da Assistência Médica Internacional (que já recebeu o donativo), o nosso obrigado. RP 06/03/2006 P.S. Significativo é certamente o facto de um assinante estrangeiro ter sugerido que o seu dinheiro fosse entregue, em alternativa à AMI, a uma associação nacional de prevenção de fogos florestais. Significativo e triste — que seja o desordenamento florestal a nossa imagem de marca lá fora. FOI BOM, MAS SOUBE A POUCO
O 'Eduquês' em Discurso Directo, de Nuno Crato, edição Gradiva. Poucos são os livros em que, como neste, a leitura é constantemente interrompida para exclamarmos de forma sentida (desesperada, mesmo), alto e bom som, mesmo que estejamos sozinhos: «Claro!» Como defeito, só a brevidade. Quando se começa a ganhar balanço, acaba o capítulo. E é assim até ao fim do livro. FG 03/03/2006 COISAS QUE VALEU A PENA LER HOJE«Monstruosa inocência», de Esther Mucznik:
«O direito à blasfémia», de Vasco Pulido Valente:
Ambos no Público, ambos a ler integralmente. FG 03/03/2006 THE VIRGIN MADE ME DO IT...Uma comissão parlamentar italiana conclui a favor da tese de que a URSS, através dos serviços secretos búlgaros, mandou assassinar o Papa João Paulo II em 1981. Se ainda forem vivos, os ex-responsáveis soviéticos e búlgaros podem sempre declarar-se um mero instrumento de Nossa Senhora de Fátima, que ao fim de 64 anos andava algo necessitada de um milagrito que cumprisse o Terceiro Segredo. Desconhece-se a reacção de Maomé ao uso de um dos seus servos para a prossecução dos planos da Virgem. Mas talvez o facto de a dita ser de Fátima funcione como atenuante e estimule o diálogo ecuménico e a colaboração inter-religiosa. FG 03/03/2006 UM CARTOONISTA PARA OS TEMPOS QUE CORREM
Na legenda: «Por favor, disfrute* deste cartoon cultural, étnica, religiosa e politicamente correcto de uma forma responsável. Obrigado.» © Michael Shaw / The New Yorker FG 03/03/2006 * Não arranjo melhor tradução... NÃO ACONTECEU, MAS PODIA TER ACONTECIDODe um ayatollah recebi o seguinte e-mail:
FG 27/02/2006 COISAS MENORESO cartoon do post anterior recordou-me de uma página do livro Mis primeras 80.000 palabras (ed. Media Vaca). Para este sui generis dicionário ilustrado destinado à infância foi pedido a quase 300 ilustradores de diferentes países que ilustrassem uma palavra da sua língua materna e que fornecessem a sua definição. Eis a contribuição de Saad Hajo, ilustradora iraniana:
Será talvez significativo que a palavra ilustrada (Pištgîrîkirdin) queira dizer, em curdo, «Dar apoio moral ou psicológico. Oferecer ajuda. Infundir valor.»? Ou será uma coisa menor? FG 27/02/2006 ACHO QUE NOS CONHECEMOS DE ALGUM LADO...Confesso que só hoje me dei ao trabalho de ir ver os cartoons da discórdia. Conforme escreveu o João Pereira Coutinho há uns tempos, são quase todos de uma pobreza confrangedora: ideia fraca, execução técnica fraca, ou ambos os pecados. Quase que só se safa este:
Mas, aqui, só mesmo a vontade de lançar achas para a fogueira vê no barbudo o profeta Maomé. O cartoon não identifica a personagem — e, havendo um interdito sobre a sua representação, os muçulmanos não podem, simplesmente, reconhecê-lo. FG 23/02/2006 OS LIMITES DO INTERDITOEsta noite, durante uma insónia prolongada, sobreveio-me a dúvida: o interdito islâmico sobre a representação de Maomé depende da "fidedignidade" da representação — ou basta a intenção? Por exemplo, pergunto-me se isto Õ associado à informação de que se trata de uma representação de Maomé a receber a inspiração divina (versão PC-minimalista) suscitará ou não a ira da rua muçulmana. Ou ainda se isto , /\ (Maomé, ao longe, a caminho da montanha) ditará a exigência de um pedido de desculpas por parte do governo português. FG 23/02/2006 MAL POSSO ESPERAR PARA TER E LER
O 'Eduquês' em Discurso Directo, de Nuno Crato, edição Gradiva. FG 22/02/2006 O SONHODeitou-se e sonhou com um tempo perfeito. Não havia mais judeus usurpadores. Não havia mais cruzados cristãos opressores. Não havia mais pagãos idólatras. Não havia mais ateus, nem hereges, nem blasfemos, nem ímpios de vária ordem. Tudo era Islão e o Islão era tudo. Tudo o mais se acabara. Acordou aterrorizado: acabavam-se as desculpas, também. FG 18/02/2006 ESCLARECIMENTOPara que conste, nada tenho que ver com o Fernando Gouveia da Bibá Pitta. De resto, Bibá Pitta mais parece um slogan de alguma associação de avicultores em tempo de gripe das aves. FG 18/02/2006 PÉROLASE ainda dizem que não se aprende nada com os programas sobre socialites! Para refutar tão vil opinião, eis uma lição de vida, mercê de Paula Bobone: «Gastar dinheiro sem sentido estético é Degradante, com 'H' grande.» Ora, nem mais. FG 18/02/2006 UMA QUESTÃO DE PRINCÍPIOO Presidente da Federação Portuguesa de Futebol desdisse o Seleccionador Nacional: para Scolari, um jogador que vá ao Europeu de Sub-21 não será convocado para o Mundial, mas Gilberto Madail diz que não é bem assim; tal restrição é «apenas uma questão de princípio do Seleccionador Nacional» — ou seja (continua Madail), «em princípio tais jogadores não irão ao Mundial». Com um tal entendimento de o que é uma «questão de princípio», Gilberto Madail afigura-se como forte candidato a futuro Ministro dos Negócios Estrangeiros. FG 16/02/2006 SENTIDO DE HUMOREntre outras coisas, o que falta, manifestamente, ao mundo muçulmano é sentido de humor, em especial quando este é reflexivo, autocrítico. Mas isso, já sabemos, é só mais um sintoma do atraso cultural do Islão. Humor e autocrítica são sinais de sofisticação — algo incompatível com quem chama a tudo o que lhe seja anterior ou alheio «Tempo (e Terra) da Ignorância».
A quantos séculos de distância está o Islão de um humor como este de Mark Ryden? Pelo calendário deles, estamos em 1426 (Idade Média, portanto) — ainda teremos de esperar. FG 16/02/2006 APOIEMOS A DINAMARCA E AS LIBERDADES OCIDENTAIS... AGORA EM PORTUGUÊSOra aqui estão elas:
E para não me ficar só pelas palavras, este ano as minhas sobrinhas recebem Legos no aniversário. FG 16/02/2006 ISTO DO INTERDITO...Já se sabia que isto do interdito sobre a representação gráfica de Maomé era não mais do que uma desculpa por parte dos muçulmanos para justificarem o seu ódio (fruto, entre outras coisas, da frustração de se saberem falhados). E qualquer pessoa com dois dedos de testa percebe que, a ser autêntico, o interdito só se aplicaria aos que professam a dita fé (ou ainda, concedamos isso, a todos os que — crentes ou não — habitam os países em que o interdito é lei). Mas a prova final (não apenas dedutiva ou intuitiva) de que o interdito só é levado a sério quando pode ser usado como arma de arremesso é o seguinte cartoon, criado pelo iraniano Amin Montazeri, no âmbito do concurso internacional de culpabilização dos judeus (olha a novidade!) lançado pelo site irancartoon.com:
Truncada ou não, a representação de Maomé está lá. Não se aplica o interdito a Amin Montazeri — ou a sagrada propagação do ódio perdoa outros pecadilhos? FG 16/02/2006 TESTE: DESCUBRA O TERRORISTA ISLÂMICO QUE HÁ EM SI
O que o choca/ofende mais: o cinto-bomba ou o batom? FG 16/02/2006 E JÁ AGORA...Só para terem uma ideia: Lego, Bang & Olufsen, Bodum, Ecco, Dancake, etc. (Podia incluir marcas de cerveja — mas detesto que se beba com espírito de missão...) FG 14/02/2006 PORQUE A INTOLERÂNCIA É INTOLERÁVEL...Subscrevo o seguinte manifesto/abaixo-assinado:
Para subscrever, siga este link. E, já agora, aqui vai um banner com que me identifico:
Correndo o risco de soar demodé: Cidadãos do mundo livre, uni-vos! FG 14/02/2006 COR-DE-ROSISMOLeio no Aspirina B:
Que se diga que há milhões de «muçulmanos cuja ambição é viverem em paz, conforto e harmonia com o resto do mundo», aceita-se. Mas cifrarem-se esses "aspirantes à harmonia" em centenas de milhões, e que essas centenas sejam 10 ou 12 — isto é, virtualmente, todos (algo mais que mil milhões) — é lirismo. Ou demagogia. E afirmar que infelizmente essas centenas de milhões «são pessoas condicionadas pelos poderes políticos, religiosos e culturais» é, uma vez mais, lírico, infantil ou demagógico. Já dizia Ortega y Gasset: «Eu sou eu e a minha circunstância». De facto, os condicionalismos sociais, políticos, religiosos fazem parte de cada um (da sua maneira de ser, pensar e agir); se sou "naturalmente" tolerante*, mas a educação e a sociedade me leva a assumir atitudes intolerantes, então eu não sou de facto tolerante — pois não posso separar o que faço e o que me levam a fazer e defender daquilo que sou! Finalmente, quando li que «talvez nem a si próprias se oiçam», fiquei com dúvidas se leria a Xis ou a badana de um livro da Pergaminho... Mas parece que não. FG 10/02/2006 * Ai Rousseau, os estragos que ainda fazes!... ARTILHARIARui Ângelo Araújo (RAA) passa a atender também aqui: Os Canhões de Navarone. RP 09/02/2006 O ÓBVIO E O OMITIDOE agora, um comunicado do gabinete do Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros:
Assim, sim! Porquê deixar as coisas pela metade? FG 09/02/2006 O DESCANSO DO GUERREIROMil e setecentos quilómetros depois, a distribuição está concluída (a menos de alguns envios por correio). Agora, perna ao alto... RP 09/02/2006 «E A AUTO-ESTRADA, CARALHO?»De Carlos Costa, director da companhia de teatro Visões Úeis, recebemos a seguinte reacção ao fim da revista:
A revista não abriu falência — simplesmente fechou as portas, porque assim o decidimos (temos um certo pendor para o sistema do déspota esclarecido). E, para desgraça nacional, o destino da pasta de papel era uma gráfica de León... RP 06/02/2006 O ESSENCIAL E O ACESSÓRIONo Público de terça-feira rezava assim:
Começo pelo menos importante: a sala onde foram congeminados os primeiros números da revista nunca se situou em Vilarelho, mas no centro de Vila Pouca de Aguiar — onde, de resto, a jornalista do Público nos entrevistou em Agosto de 2002. Convém não confundir o berço com a forja, ou o menino ainda sai chamuscado. E é escusado exagerar nas evocações de um "anjo caído", de uma Maria Papoila que sobe à cidade, de uma suposta perda da inocência primeva (rústica, «very typical») just to make a point — quando se sabe que tal constitui uma inverdade.
Quanto ao acomodamento, também é para evitá-lo que a Periférica acaba.
Generalizando: São importantes Os Lusíadas e a lírica camoniana — ou o "olho à Camões" do seu autor? Interessam a Ode Marítima e a heteronimia de Pessoa — ou a localização no Chiado da sua estátua, para engodo dos turistas? Discute-se a obra de Lobo Antunes — ou se ele usa ou não bata branca quando dá consultas? Preocupa-nos saber se o mais recente livro de Saramago é digno de um nobelizado — ou se o "Camões" (um dos seus cães) se chama assim por ser zarolho, ou quanto custou o último par de sapatos de Pilar? É relevante o universo feminino de Agustina — ou os chás que toma às cinco, ou não? Resumindo: Interessa a obra — ou a pose do intelectual (ou aquilo que percepcionamos como atributos "de intelectual")? Interessa a cabeça — ou a boina que ela enverga? Em Portugal, a Imprensa (mas não só, infelizmente) — por enviesamento de leitura, por pressa de rotulação, por gosto pelo cliché, por inércia ou indisposição para a reflexão, ou por simples falta de capacidade —, a Imprensa e alguns leitures, dizia, tendem a focar-se na boina, no acessório em detrimento do essencial. A leitores desses a Periférica não fará falta. Mas já antes disso não faziam eles falta à Periférica. FG 02/02/2006 PERIFÉRICA n.º 14A derradeira edição da Periférica já está disponível online; a edição impressa começa a ser distribuída esta semana. Como prometemos, este não é um número revivalista. Nem um número especial. É só o último. Basicamente igual a todos os anteriores. Mas, por ser o último, permitimo-nos pôr de lado o jornalismo de entrevista e reportagem e deixar que a edição se espraiasse um pouco mais pelas imagens, pela pintura, pela fotografia, pela banda desenhada, pelo design, por aquilo que vem interessando crescentemente os editores cá da tasca. A prosa literária, cremos, está bem representada, com textos do padrinho J. Rentes de Carvalho, de Maria do Rosário Pedreira e de Gonçalo M. Tavares. Reforça esta ala um utilíssimo manual para quem pretenda escrever o seu próprio romance Lobo Antunes. Da produção da casa, além de um conto de J. Ferreira Borges, publicamos apenas os indispensáveis comentários de A Oeste Nada de Novo — tomados de assalto pelo inacompanhável Fernando Gouveia — e os Canhões de R. A. Araújo, a bem do orgulho pátrio. Na contracapa, como bónus para os nossos leitores — que vilmente desamparamos —, a Periférica transmuta-se na prestigiada The Vilarelher... Fica muito por publicar, claro, mas agora esperamos que os outros cumpram a sua obrigação. RP 31/01/2006 JÁ ESTÁ NA TIPOGRAFIASe os estafetas não falharam, o derradeiro número da Periférica terá atravessado a fronteira esta tarde rumo a León. Não querendo nuestros vizinhos conservá-la em exclusivo, como a relíquia histórica que é, lá para o último dia do mês a edição começará a ser distribuída. Confiemos, pois, na generosidade castelhana. RP 16/01/2006 REACÇÃO AO POST «A AL-QAEDA, O "AL-QAEDISMO" E O ESTRANHO "CLUBE" DOS QUE SE LHE OPÕEM»De José António Teles Pereira — juiz desembargador, antigo Director-Geral do SIS e autor de um artigo publicado na revista Atlântico — recebemos o seguinte comentário a um post anterior:
A réplica será curta e creio não reclamar tréplica (mas esteja à vontade):
FG 06/01/2006 SITE DA PERIFÉRICA ATACADO POR HACKERS TURCOS (3)O grupo de hackers turcos responsável pelo ataque denomina-se VaTaNHaCK.CoM. A coisa não pareceu ser muito profissional e foi rapidamente resolvida. Agradecemos ao leitor André Barbosa o alerta para a situação. Os interessados poderão consultar a cópia da página de entrada que os atacantes introduziram. RP 04/01/2006 SITE DA PERIFÉRICA ATACADO POR HACKERS TURCOS (2)Pouco depois da meia-noite a normalidade foi reposta. Por quanto tempo, não sabemos. Se já entraram uma vez... RP 04/01/2006 SITE DA PERIFÉRICA ATACADO POR HACKERS TURCOSO site da Periférica foi atacado por hackers turcos. Até agora os atacantes só "tomaram posse" da página de entrada. O blogue (que quase não funciona) continua a funcionar. Ironias. As restantes páginas também parecem não ter sido afectadas. Tentaremos resolver este problema o mais depressa possível. RP 03/01/2006 |
Autores dos textos:Fernando Gouveia [www] Arquivo:02/11 a 19/12/2005 |
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