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Página de entrada do blogue (últimas) AFINIDADESUma vez mais, um blogger vila-realense (transmontano, duriense...) solicita-nos um linkzinho recíproco, uma referência aqui no Oeste. Uma vez mais, um blogger vila-realense (transmontano, duriense...) não consegue perceber que não é pelo mapa que nos chegam as afinidades. FG 29/04/2005 O PORTUGUÊS E O GALEGO (4)E, claro, Santiago Jaureguizar responde a Fernando Venâncio...
A INTERVENÇÃO DO ESPÍRITO SANTOO cardeal Saraiva Martins (o homem a quem os candidatos a santo devem meter uma cunha para apressar o processo) diz no DN de hoje que para entendermos a rapidez da eleição de Ratzinger (quatro votações) «temos também de ter em conta a acção do Espírito Santo». Ó xôr cardeal, apenas três falhanços até pode ser bom para 115 homens de púrpura, mas para a terceira pessoa da divindade fica um pouco aquém, não? FG 22/04/2005 O PORTUGUÊS E O GALEGO (3)Com algum atraso da nossa parte, a resposta de Fernando Venâncio a Santiago Jaureguizar:
O PAPA, OS NÃO-CATÓLICOS E O GATO DO VIZINHOÉ um reparo habitual: os que não são católicos não têm nada a ver com quem é ou não o Papa; não têm, sequer, direito de comentar tal assunto (ou qualquer outro que diga respeito à Igreja Católica). Entre os que assim opinam encontramos duas estirpes: a dos ofendidos com a «intromissão» da horda ímpia em assuntos que só aos crentes dizem respeito, e a dos esperançoso-paternalistas, que vêm nesse interesse a confirmação de que, de facto, os ditos ímpios reconhecem a autoridade papal. Para tal reparo tenho duas possibilidades de resposta (a utilizar conforme a disposição do momento): 1. Resposta argumentativa: Não tenho o direito de dizer se o Papa deve ser este ou aquele (de resto, nem os próprios católicos em geral: apenas os cardeais eleitores têm voto na matéria...), mas tenho razões para me preocupar que seja este ou aquele. Da mesma forma, não é indiferente para a minha vida (e para o resto do Mundo) se o Presidente dos EUA ou da Rússia é A ou B. A influência de tais cargos ultrapassa fronteiras religiosas e políticas, afectando todos e não apenas os que (por opção ou circunstância) estão sujeitos à sua autoridade teológica, moral ou civil. 2. Resposta curta e grossa: Lá porque o gato morto está no apartamento do vizinho, eu não me devo preocupar com o cheiro? FG 20/04/2005 O DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO SEGUNDO JOSEPH RATZINGEROntem, um pouco por todo o mundo, personalidades dos mais diversos quadrantes faziam votos «de que o novo Papa continue o diálogo inter-religioso». Tendo estado atento às intervenções do cardeal Ratzinger durante o pontificado de João Paulo II, é fácil prever o que Bento XVI entende por «diálogo inter-religioso». Reproduzimos, pois, a minuta de um desses diálogos, conforme idealizados pelo novo Sumo Pontífice:
E assim por diante. Vêem como até se fazem progressos quando toda essa cambada de cismáticos se predispõe a sentar-se e encetar um diálogo construtivo?... FG 20/04/2005 JOSÉ MÁRIO SILVA, O OPTIMISTAJosé Mário Silva é reconhecidamente «boa praça». É também a imagem do optimismo: ainda se arrepia com as baldadas lançadas à rua pela Igreja Católica! Diz ele, a propósito da eleição do cardeal Ratzinger, que «De todos os cenários maus, os 115 cardeais escolheram o pior». Ora, se pelos padrões normais o cardeal alemão é ultraconservador, no microcosmos cardinalício ele é considerado pelos especialistas como estando posicionado a meio do espectro. É para veres, Zé Mário, que há sempre uma hipótese pior... FG 19/04/2005 O PORTUGUÊS E O GALEGO (2)Recebido de Santiago Jaureguizar, jornalista galego:
PRIORIDADESJá houve vezes em que me pediram para saírem uns minutos para fumar. Ou para irem à casa de banho. Mas para telefonarem a confirmar que o Sporting venceu foi a primeira vez. A inconsciência, note-se, vai na segunda geração: soube depois que era o pai que, atencioso, usava o SMS para manter informado o filho que realizava um teste nocturno. Quem sai aos seus... O aluno em causa acabou por desistir do teste. O saldo da noite, no entanto, foi positivo: o Sporting seguiu em frente. E isso, já se vê, é tudo o que interessa. FG 14/04/2005 O PORTUGUÊS E O GALEGOResposta de Fernando Venâncio à resposta de Fernando Gouveia:
Fernando Gouveia comenta o acessório: «O mundo seria muito melhor, e Portugal muito diferente, se houvesse alguma mais gente como você.» (Isto é, eu.) Eh eh! Paciência e aptidão para escutar — notem bem: escutar, não ler — são virtudes que raramente me apontaram. Uma vez mais se confirma a blogosfera como um mundo à parte: quem vê posts... :o) FG 13/04/2005 ISTO DA TRADUÇÃOCaro Fernando Venâncio, Escrevo-lhe depois de um fim-de-semana mal dormido, de intermináveis voltas na cama. Dominava-me o remorso da simples possibilidade de estar o meu «desvario» de tradução a fazer perigar as inexplicavelmente já insípidas relações transfronteiriças entre Portugal e a Galiza. «O que é grave.» Tanto mais tendo eu responsabilidades morais acrescidas, por via da costela galega que me legou uma das minhas trisavós. (Hélas!, o legado foi a costela, não o martelo e a bigorna, as cordas vocais ou o abdutor do polegar e demais músculos do departamento da mão, que de mais préstimo me seriam no domínio oral e escrito da língua do Manuel Rivas.) Concedo-lhe, já se vê, que concluiu bem quanto à minha debilidade em galego, e bem assim em castelhano. Deste, à parte um ou outro livrito lido em anos recentes, outros pergaminhos não tenho que não sejam os que derivam do televisionamento, na minha juventude, de séries como El coche fantástico e El Equipo A, obséquio de um retransmissor pirata das emissões da TVE instalado na Serra do Alvão. (O retransmissor seria desmantelado quando a frequência atribuída à TVI foi a mesma — com claros prejuízos para o telespectador local.) Quanto ao galego, estamos ainda pior: nem sequer posso compensar a impossibilidade de hereditariedade genética com o diploma de frequentador assíduo da TVG... Uma miséria, portanto. Agradeço-lhe, pois, algumas das sugestões que faz. (Fosse a Periférica uma publicação electrónica, corrigia-se aqui e agora o erro — estariam relançadas, com renovado fôlego, as relações com os nossos irmãos do lado norte da fronteira.) As debilidades no domínio da língua que pretendemos traduzir é problema que só o tempo e o apontar de erros (obrigado!) permitem minorar. Mas não posso deixar de rebater alguns dos seus reparos, ou pelo menos remetê-los para o domínio do discutível. «Cheguei a pensar.» Mão à palmatória: desconhecia a diferença de sentidos entre Portugal e Espanha (cá pressupõe que uma hipótese foi considerada e depois descartada, o que não é o caso). Realmente, quando estava no processo de tradução, a frase (no sentido que eu lhe dava) pareceu-me algo estranha, que não era bem aquilo — mas a estranheza foi menor do que a minha confiança (desgraçada, já se vê) na proximidade entre as línguas. «Daquela.» Idem: nem ideia. Este erro, no entanto, dói-me menos do que o anterior, dado que na minha cabeça «daquela» referia-se à compra: «pois daquela [compra] era o papel de imprensa o embrulho habitual» (ou, com sintaxe menos rebuscada: «pois o papel de imprensa era o embrulho habitual daquela [compra]»). Perfeito sentido, portanto. Por falar em sintaxe: a questão de em galego e em castelhano se tender a antepor o verbo ao sujeito e a transferir este para o fim da frase. (Na realidade o que se remete para o fim da frase é o complemento, cabendo ao sujeito a posição intermédia, mas adiante.) Concedido: em português essa construção é menos comum, mas está longe de ser errada, ou sequer um "galeguismo" ou "castelhanismo" a evitar. É, de facto, uma construção mais rebuscada, mas isso não é forçosamente um defeito, um erro, um «desvario», nem creio que a frase resulte demasiado estranha ao leitor português com um nível mínimo na utilização da sua língua materna. A verdade é que eu utilizo frequentemente a anteposição, mesmo fora do contexto da tradução — mas admito que para o seu uso neste caso em concreto tenha pesado muito a sua presença no texto original; desconhecer este e ter apenas acesso ao texto traduzido representa por vezes uma vantagem. Quanto à «frase torta»: uma vez mais, questão de gostos. A sua versão é sem dúvida mais chã, mas a minha, não abdicando da correcção na língua de destino, preserva mais o "sabor" do original (o que é um critério de tradução válido, se bem que discutível e de valorização variável segundo a sensibilidade de cada um). Também questão de gostos é a divergência (en passant) quanto a ser melhor «por fim» ou «finalmente». Na frase em questão, gosto mais de «por fim», mas não dou a vida por tal questão de gosto. Finalmente, uma discordância quase total: o meu «Desde logo» contra o seu «E assim». Da maneira como eu vejo as coisas, desfazer-se rapidamente do peixe é a "prova" que o narrador nos apresenta de que a conclusão anterior (que o interesse de Maiacurí estava nos jornais de embrulho) é valida. O seu «E assim» falha esse objectivo: tal relação tese/prova só fica patente com um «Desde logo», alternativamente um «De facto», um «Efectivamente» — mas o Tratado de Alcañices não delimitou o exclusivo espanhol dos direitos sobre o «Desde logo». FG 12/04/2005 TRÊS DA MANHÃ E NADA DE NOVODa janela contemplo o movimento da geração universitária. Irrequieta, ruidosa, amante de Baco e das madrugadas insones. E rasca, claro. Desde que foi escrita pela primeira vez por Vicente Jorge Silva, a expressão nunca mais deixou de fazer sentido, ao contrário do que gostam de acreditar os paternalistas e os condescendentes. As estatísticas estão aí para o provar. Que percentagem de estudantes lê livros? Que percentagem frequenta espectáculos e exposições? Quantos escrevem um parágrafo sem dar uma dúzia de fífias? Quantos sabem o número dos países da União Europeia? O que define uma geração rasca? As tristes respostas às perguntas anteriores — e um comportamento de idiota a pretender passar por irreverente. A irreverência da juventude universitária não existe. Existe a roupa, a pose, existe o barulho, mas tudo o mais é um vazio onde nem o spleen que faz os rebeldes sem causa existe. A marca desta juventude é o contentamento. Os rapazes e as raparigas estão contentes. Contentes com as mesadas dos pais, com a generosidade do mecenas SuperBock, com as ladies nights e a vitória do Benfica, com um sistema que não exige nada de especial às suas cabecinhas, com a sociedade que põe os filhos na universidade como a família põe as crianças na creche — para não os deixar sozinhos em casa. Ainda há quem alimente a ilusão de que a frequência da universidade incrementa a frequência dos espaços culturais. Puro engano. Os teatros, as galerias, os museus há muito que não vêem estudantes. A turba estudantil tem mais sede do que curiosidade, não troca o copo de cerveja pelo conhecimento. Os teatros, as galerias, os museus verão estudantes no dia em que tiverem um serviço de shots apreciável — e um DJ com traquejo. A cidade dorme e os estudantes fazem-se ouvir pelas ruas. Nada de serenatas, de cantilenas, de discussões acaloradas, de manifestos contra os Dantas locais. Nada do que possa dar sinais de algum interesse melómano ou político. Nada que possa mostrar a centelha de uma ideia. A cidade dorme — e os estudantes apenas rugem. Bramem. Urram. Ululam — de braços pendentes e tronco quase erecto. RAA 11/04/2005 CANTINHO DO MASOQUISMO (2)Recebido de Fernando Venâncio:
CANTINHO DO MASOQUISMORecebido de Filipe Guerra:
Cumprindo o ritual periódico de desterro em terras transmontanas, o nosso colaborador J. Rentes de Carvalho enviou-nos a sua análise da edição actualmente à venda. O "memorando" foi pensado para consumo interno, mas aqui na Redacção achámos fazer falta inaugurar um... CANTINHO DA AUTOCRÍTICACaríssimos, Vou directo ao assunto: a capa, que eu tinha visto no site, chama a atenção e por isso deve ser boa. Pessoalmente o meu gosto iria para o retrato de Einstein ou o de Bob Dylan. E incomoda-me um bocadito aquele "Oops!" Junto à idade, a minha costela plebeia e anárquica preferia um sonoro "Porra!" um "Catano!", mas convenho que isso seria contrário aos ventos que sopram. Ainda sobre a capa: suponho que vocês têm dificuldade em encontrar colaboradores entre os nossos compatriotas, pois dos nove nomes que lá se vêem seis são espanhóis ou afins. No número anterior, e embora bons, também já eles eram muitos. Ora se não há gente nossa, será preciso explorar outros e mais variados mananciais para além dos da Ibéria e das várias Argentinas. O Piven tem talento, e a página em que ele se apresenta está muito bem, fica o rapaz aprovado como excelente escolha. O editorial mostra a boa qualidade do costume. O mesmo se pode dizer do "Oeste". Bom e pertinente, o texto do Rui sobre a crítica bulldozer. Igualmente bom o texto do outro Rui, o Bebiano. O texto e as fotografias de Pedro Guimarães: piegas na prosa e aborrecido na informação. O que a ele impressionou sabe-o desde há anos quem lê o jornal de vez em quando. Depois, ao dar com frases do género "Esmagado pelo cenário caótico, sinto necessidade de me sentar um pouco", a gente ficas com vontade de lhe dizer, não se sente, homem, caminhe, vá procurar temas originais. Creio também que em reportagens sobre a China não deve haver cliché mais estafado do que o dos chineses de bicicleta ou a fazer ginástica na rua. O resto das fotografias é medíocre, e a qualidade da impressão também não ajuda. Quando comecei a ler "Editores e publicidade", achei graça ao raciocínio. O João Pedro George também deve ter achado graça. Simplesmente eu, ao fim da primeira página parei de ler, achando que já chegava, e ao resto dei uma vista de olhos confirmativa. Mas ele continuou, gastando cerca de duas mil palavras a repetir o que tinha dito com as primeiras quinhentas. Resultado: quase esqueci a graça que no começo lhe tinha achado. A propósito da entrevista a Guta Moura Guedes. Aquilo são seis páginas estranhas. O Rui não se mostra curioso, agudo, e eventualmente contundente, mas parece desempenhar um papel de compère, a dar a deixa e a fazer aquele género de perguntas que a dama aproveita logo para se elevar sem falsa modéstia aos cornos da lua. Não me pareceu entrevista, antes peça de teatro. Aliás a moça há-de ir longe e eu vejo-a com matéria-prima para futura ministra da cultura, da educação e afins. Desde a atitude ao vocabulário, desde o êxito das suas actividades culturais e outras, o Voyager! o Voyager 03! que foi de Bragança aos Açores!... Pena que o Voyager original tenha ido um bocadito mais longe. Aquele modo "de sempre prever momentos de análise e avaliação de resultados e de monitorização dos apoios"... "o descodificar dos tecidos culturais"... Grande pena dá a quem não sabe falar assim. Em resumo: uma chatice. A ponto de que achei imerecida a bela ilustração que o Paulo fez. Graças a Deus que nas páginas seguintes está a Alice Geirinhas. No vocabulário, nas ideias, talento, modo de estar na vida, no mundo, na cultura, ironia, pão-pão-queijo-queijo, a antítese da Nossa Senhora de Belém. Bom o texto de Manuel Rivas. Excelente, como todas as que faz, a tradução do Fernando. Na terceira linha da pág. 44 está a frase "Que sorte tendes alguns." Soa estranho. Gramaticalmente é correcta, mas por que será que, pelo menos a mim, arranha o ouvido? Ri com o portefólio do Vilariño. Aquelas poses, a cara enfarruscada, os olhos das senhoras a espichar artisticidade, as canastras, os pitorescos feixes... Ó homens!... Mas o mais certo é o cânone da estética fotográfica ter evoluído e eu, ocupado num comezinho dia-a-dia, não dei conta. A confirmar a minha sem-razão está o facto do homem ter exposto nos museus de tantos continentes. Muito bons os microcontos de Rogelio Geduea e excelente o texto do nosso JFB. O azedume que me tomou com a Nossa Senhora de Belém, a China, e os seios tristes das quarentonas, teve por consequência que li a poesia com mais atenção e devoção do que costumo. E vejam: até gostei. Claro que vocês vão ter razão quando disserem que sou injusto e exagerado, que de crítica não entendo, que a distância (mesmo estando agora a dois passos de Vilarelho) me turva a visão, que não imagino a canseira que é fazer uma Periférica. Assim será, mas se quiserem debater sobre o caso é aceitar o convite feito e, num dia soalheiro, virem para estas bandas passear e comer a posta. JRC 03/04/2005 AINDA A CRÍTICA-BULLDOZERCaro João Pedro, Perturbaram-me as inquietações manifestadas no post que escreveste nesse teu novo blogue. Gostavas de saber, dizes, «qual [é] o problema de haver leitores necrófilos, esses abutres ressentidos que lêem apenas por voyeurismo». Não sei como pude esquecer-me de explicar isso na minha crónica. Os «abutres ressentidos» são só gente para quem não apetece escrever (falei por mim, claro). Reparam demasiado nos nossos dotes militares; estão sempre a ver facas onde apenas temos canetas; sujam-nos as folhas de baba se adivinham algum sangue na prosa; lembram-nos que uma caçadeira custa menos do que anos de leitura (garantindo as mesmas audiências embevecidas); e — é verdade, mesmo que isso faça de mim um marxista frankfurtiano — não percebem uma linha do que escrevemos. Mas exagerei. O problema não é grande, de facto. Sobretudo se comparado com a eventualidade de haver leitores necrófagos. Ou a simples (felizmente nunca verificada no mercado português) possibilidade de existirem leitores coprófagos. Mas o problema chega a ser mesmo irrelevante, quando confrontado com outras enfermidades literárias que tão bem tens catalogado. Como a de autores capazes de repetirem expressões num livro. Também errei. Porque nós bem sabemos que, no acto da escrita, há motivações legítimas e motivações menos legítimas. Que aquele que escreve para revelar «o nível de hipocrisia e de cinismo que caracteriza a crítica literária jornalística» é mais legítimo do que o que escreve por prazer e divertimento pessoal. Por outro lado, o moralismo que o meu texto ostentava é, evidentemente, inaceitável — mas principalmente perigoso. Há um sério risco de que, sensibilizados pelo meu incómodo, os críticos literários passem a discriminar os «leitores necrófilos» escrevendo apenas prosa pacifista. Um risco de que os editores, inspirados no meu desabafo, boicotem os «abutres ressentidos» recortando dos jornais as opiniões assassinas. E, mais grave, o risco de que o Ministério da Cultura me leve à letra e inscreva em orçamento uma verba generosa para ratax... Riscos demasiado inquietantes, eu sei. Arrependido de prosa tão nociva, o teu Rui Ângelo Araújo P.S. Espiolhei o teu post e não encontrei a lista daquelas que nos lêem motivadas «pelo instinto da satisfação sexual». Importavas-te ser mais explícito? Mais concreto? Menos vago? RAA 01/04/2005 FOI BONITA A FESTA, PÁ!FG 01/04/2005 A ATLÂNTICO POR UM CANUDOO Público oferece com a sua edição de hoje o número inaugural da revista Atlântico. Ou melhor, era suposto oferecer, porque a Vila Real (e a quantas mais cidades e vilas?) a revista não chegou «por problemas técnicos». Certamente, só o meu espírito mesquinho me faz desconfiar que o tal «problema técnico» foi a tiragem só chegar para satisfazer o público dos grandes centros... «Tecnicamente», vivemos no sítio errado. FG 31/03/2005 ASILO ECONÓMICONum artigo do Público fala-se de como portugueses ilegais no Canadá vêm recorrendo ao argumento do «asilo» como forma de conseguirem o direito de permanência. (O tiro sai pela culatra, como é relatado.) O Estado português tem o direito — o dever — de instaurar processos por difamação a todos quantos forem repatriados por improcedência das alegações. As dificuldades económicas não podem justificar as misérias morais. FG 31/03/2005 P.S. Oops! Com este post é que eu afugentei os leitores que chegam cá por recomendação do Blog de Esquerda! O anúncio ficou implícito na resposta de RAA ao Paralelo.36, mas cumpre (ainda que em cima da hora) deixá-lo aqui de forma explícita: PERIFÉRICA FESTEJA 3 ANOS NA QUINTA DO PORTALA revista Periférica comemora 3 anos de vida pública. Para assinalar a efeméride, hoje, pelas 18:30, decorrerá na Quinta do Portal (Celeirós, Sabrosa, Região Demarcada do Douro) um encontro em que, para além da apresentação pública do mais recente número da revista, se fará um balanço do projecto e, não menos importante, se procederá à devida degustação de vinhos da anfitriã Quinta do Portal. SE NÃO VIEREM POR FEBO, QUE VENHAM POR BACO! RP 31/03/2005 OPTIMISMOPedro, um tresleitor da Periférica, opina no nosso livro de visitas que «Um grão de humildade e menos insultos melhoravam um produto que é notavelmente medíocre». Caro Pedro, é demasiado optimista: um «grão de humildade» e «menos insultos» podem pouco contra um produto que seja «notavelmente medíocre». FG 31/03/2005 RECEITAS CASEIRAS«Humildade» está certamente entre as mezinhas que mais nos receitam nos e-mails que vamos recebendo na nossa caixa de correio electrónica. Isso, e métodos infalíveis para aumentar o pénis. É assim o mundo: de um lado o apelo à virtude, do outro a tentação do vício. (Qual é qual, cabe a cada um decidir por si.) FG 31/03/2005 A PERIFÉRICA E AS PERIFERIASCaro Paralelo.36, Li com interesse o post que escreveu sobre a Periférica e resolvi comentá-lo. As suas observações sobre a revista de que é assinante são quase todas certeiras, embora ponha em algumas delas uma certa carga pejorativa que nos faz discordar. Há, ainda, uma passagem do seu post errada: quando diz «É uma revista do interior, que no fundo o despreza e minimiza e onde o ser-se construtivo ou até didáctico não tem espaço». Deixe-me contextualizar um pouco a relação da revista com o «interior». Como talvez saiba, a Periférica sucede a uma publicação (o Eito Fora) inteiramente regional na distribuição e no âmbito editorial, publicação essa que cometeu suicídio, devida e antecipadamente anunciado e planeado, ao fim de quatro anos de publicação ininterrupta. Finda essa aventura transmontana, a redacção do Eito Fora, gente circunstancialmente nascida, a residir e a trabalhar em Trás-os-Montes, resolveu criar uma revista literária e artística de âmbito nacional — sem o incómodo de mudar a residência para terras onde estas publicações são mais habituais. E foi esta a originalidade maior da Periférica. Quer do ponto de vista do «centro» — que, com algum espanto, viu entrar no campeonato uma revista das berças —, quer do ponto de vista do «interior» — que descobre em alguns dos seus veleidades, digamos, pouco vulgares. A Periférica herdou várias características do Eito Fora — mas nenhum contrato com o «interior». Nem com qualquer outra geografia do país. Não se arvorou em representante no exterior de nenhum naco de território mais a norte ou a leste. Deixou de lhe interessar, em termos editoriais, a problemática de uma região específica. Dirigiu-se, somente, a indivíduos leitores, sem olhar para o mapa. (Talvez seja aqui curioso referir que a maioria dos leitores de facto do Eito Fora na sua fase adulta não eram transmontanos.) A Periférica pisca, então, «sistematicamente», «o olho à urbanidade cúmplice» e a todos os cúmplices potenciais, alguns enraizados no interior. Fruto dos convites que teve, realizou até à data mais lançamentos na «capital» do que em qualquer outro lado. Mas teve lançamentos e apresentações em Pedras Salgadas, em Vila Pouca de Aguiar, em Leiria, em Aveiro e no Porto. Uns com mais visibilidade, outros com menos — de acordo com o interesse manifestado pela comunicação social de cada sítio. O público da Periférica é maioritariamente urbano. Mas não nos cabem responsabilidades nisso — o interesse pela literatura e pelas artes não tem qualquer relação com a proveniência geográfica, nem o Marão o limita. Sempre acreditei nisto, no entanto aceito provas do contrário. Mas não diria que nada há na Periférica que reflicta a «interioridade». Porque me recuso a ver a «interioridade» como um espaço formatado num retrato bucólico ou miserabilista, alheio à literatura e às artes. Crítico confesso e de longa data da apatia transmontana, não me atreveria, ainda assim, a conceber a «interioridade» como um espaço meramente rural, exclusivamente vocacionado para tradições simplórias, a viver com a simplicidade dos indigentes. Claro que se estiver a usar «interioridade» como sinónimo exclusivo de espaço físico, de identidade regional, nesse caso sim, a Periférica não reflecte o espaço físico de Trás-os-Montes. Intencionalmente. Mas só porque não reflecte nenhum espaço físico específico. Nem vejo, honestamente, por que o deveria fazer. Talvez o assinante lamente que não haja mais Trás-os-Montes na revista. (Quanto a não haver mais Periférica em Trás-os-Montes, ilibar-nos-á, certamente, dessa culpa...) Mas que Trás-os-Montes? Não é retórica esta pergunta. Repare: a Periférica despreza a imbecilidade, a boçalidade, a apatia — não despreza Trás-os-Montes, como há-de estar claro. Nem o minimiza, acredite. Simplesmente, a Periférica também não está interessada em maximizar Trás-os-Montes. Nem por solidariedade regional (o que equivaleria a um inútil paternalismo), nem por qualquer outro sentimento igualmente vazio e igualmente desculpabilizador. Nós gostaríamos de acreditar que a simples existência de uma revista como a Periférica no «interior» era suficientemente didáctica e construtiva — mas sempre fomos afectados de soberba: sabemos que o «interior» na sua maior parte não partilha da nossa ideia. Felizmente, Trás-os-Montes tem bolsas que teimam em fugir ao retrato ruralista e obtuso que os transmontanos gostam e teimam em se conceder. Só que, para mal dos regionalismos, essas bolsas, com naturalidade, remetem a geografia para segundo plano, o lugar que lhe é próprio. Já agora, o Paralelo.36, com uma boa escrita, é ele próprio um exemplo de urbanidade surpreendente no «interior». RAA 26/03/2005 P.S. Na próxima semana a Periférica comemora 3 anos na Quinta do Portal (Celeirós, concelho de Sabrosa). Está desde já convidado para este convívio, em que se degustarão vinhos da quinta anfitriã. CTT BURLA CLIENTESEste post pretende ser, antes de mais, um alerta. Como forma de estimularem a venda dos serviços expressos da Postlog (EMS, Quick, etc.), os funcionários das Estações de Correios dos CTT vêm sistematicamente negando a existência do serviço de encomendas normais (mais barato) aos clientes que o solicitam. Comigo passou-se isso em Novembro/Dezembro de 2004, de novo na semana passada (tudo nos Correios de Vila Real) e, puxando um pouco pela memória, também há mais de um ano na Estação de Correios da Avenida de Roma, em Lisboa. Na semana passada a burla (porque é este o nome que o "esquema" merece) assumiu foros mais graves: não só a funcionária me "informou" de que «já não há encomendas normais» e «agora é assim» (isto é, as encomendas têm de ser através da Postlog), como, quando desconfiei e perguntei o preço de serviço, me "informou" ser este de 4,30 euros (efectivamente, o preço da encomenda normal), quando depois verifiquei ter eu pago, de facto, 6,60 (custo do Quick Nacional — 53% mais caro do que a encomenda normal). O esquema seria perfeito (o que são 2,30 euros a mais numa conta de quase 160?) não fosse o "azar" de os recibos da Postlog serem emitidos à parte (é uma outra empresa, se bem que do grupo CTT). Obviamente protestei junto da Chefe de Estação: milagre, a guia do serviço inexistente surgiu logo ali, por baixo do balcão! Foram-me então devolvidos os 2,30 euros indevidamente cobrados. Também obviamente, apresentei uma reclamação por e-mail aos próprios CTT e uma queixa à ANACOM (Autoridade Nacional das Comunicações), como de resto fizera já em Dezembro — medida que aconselho a todos quantos foram vítimas de igual burla. Em breve irei de igual forma apresentar o caso à DECO. Imaginem se não fossem os CTT a «Instituição de maior confiança dos portugueses»! FG 26/03/2005 «TEMOS A FÓRMULA PARA SER FELIZ»Millennium BCP disputa nicho de mercado da revista Xis. FG 19/03/2005 CTT, ESSE VALOR SEGUROQuando entro numa Estação de Correios, à cautela tiro logo um formulário de reclamação. Como «Instituição de maior confiança dos portugueses», os CTT quase nunca defraudam as minhas expectativas. FG 19/03/2005 ALMADA REVISITADOSe os CTT são a «Instituição de maior confiança dos portugueses», eu quero ser espanhol! FG 19/03/2005 A CRISE DA INSTITUIÇÃO CASAMENTOA acreditar nos CTT (pois...), as Selecções do Reader's Digest concluíram que os portugueses confiam mais nos CTT do que na "instituição" Casamento. E ainda há quem se admire que eu seja solteiro... FG 19/03/2005 QUAL É COISA, QUAL É ELA?Que empresa de venda de livros e revistas, esferográficas e canecas, cachecóis de futebol e m&m's é a «Instituição de maior confiança dos Portugueses»? Resposta numa Estação de Correios perto de si. FG 19/03/2005 O DESCANSO DO GUERREIROQuase 1200 km depois (fora a contabilidade das solas), a Periférica está finalmente distribuída. Agora, a comprá-la, cidadãos! FG 18/03/2005 LISBOA 1 – 1 PORTUGALLisboetas: devolvemo-vo-lo! (Oito meses depois, a desforra.) FG 15/03/2005 «O REQUALIFICADOR IMPLACÁVEL»Quando ouço a palavra «requalificação», ponho o capacete... Há umas semanas descobriu-se (Público, JN) que, por falta de fiscalização ou deficiente especificação do projecto por parte do Polis de Vila Real, associada à natural boçalidade do empreiteiro responsável, uma importante zona natural ribeirinha do percurso urbano do Corgo tinha sido destruída — a ideia do Polis (programa de «requalificação ambiental») era, precisamente, requalificar um património que, pelo seu «importante valor ambiental», necessitava ser salvaguardado. (A "justificação" do empreiteiro, que entrou com maquinaria pesada num ambiente frágil, levando tudo à sua frente, foi a de que «não se cortam silvas com pinças»...) Hoje, passo pela Rua D. Afonso III (uma das mais agradáveis desta cidade execrável) e descubro que, em nome da «requalificação dos passeios», mais de cinquenta árvores foram abatidas — precisamente as árvores que tornavam a Rua D. Afonso III uma das mais agradáveis desta cidade execrável. Quando é que alguém «requalifica» os nossos autarcas e os nossos empreiteiros — seguindo os mesmos critérios «requalificadores» que eles? FG 14/03/2005 PERIFÉRICA n.º 12 BREVEMENTE À VENDAAcaba de sair o n.º 12 da revista Periférica. Atrasada face ao prazo estabelecido e ultrapassando o orçamento combinado (na boa tradição portuguesa, portanto), a revista começará a chegar às bancas esta semana. A presente edição está particularmente apetecível:
Isto, e algumas coisas mais que lá encontrarão, são tudo boas razões para ler (e já agora comprar) o n.º 12 da Periférica. RP 13/03/2005 P.S. Em Abril a Periférica assinala três anos de vida pública. Distrai-se uma pessoa, e dá nisto. 11 de MARÇO, UM ANO DEPOISA propósito dos acontecimentos que hoje se assinalam, um poema de Martín López-Vega, publicado no n.º 12 da Periférica: Equação
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Autores dos textos:Fernando Gouveia [www] |
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