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Página de entrada do blogue (últimas) ORÁCULOO diligente Luís Delgado, a propósito dos "enganos" dos colunistas que deram a vitória a John Kerry e agora preconizam a derrota de Santana Lopes, invoca no Diário Digital o director do Expresso: «Se o país tivesse memória e não houvesse um geral clima de impunidade, muitos dos nossos colunistas já não teriam "carteira profissional". Porque se enganam sistematicamente.» Ora aqui está um modelo progressista que, felizmente, contudo, não vigora. Se vigorasse, há muito estaríamos privados da indispensável coluna do sr. Delgado no Diário de Notícias — de tão ocupado que ele andaria a reaver a carteira. RAA 07/12/2004 A RECEITAOntem, por cinquenta cêntimos, comprei numa tabacaria A Minha Concepção do Mundo, de Bertrand Russell. No interior vinha uma receita médica datada de 21/06/1972. Ora a minha concepção é esta: o mundo é uma receita ilegível; pensá-lo é a doença. JFB 03/12/2004 NOTAS À MARGEM DA SANTIDADEJulgava eu, incorrigível pecador, que a santidade, ideal a que já nem sequer ouso aspirar, fosse o corolário de um ínvio, tortuoso caminho. Julgava que fosse um núcleo de empenho, força, resistência, diante de vazios, escolhos, tentações. Em entrevista ao Público de 29 de Novembro, Manoel de Oliveira abala parcialmente esta débil perspectiva. Do alto dos seus noventa e cinco anos, o cineasta concebe a santidade como «a fuga do mundano». E acrescenta: «É o desprendimento — o sentimento de liberdade mais profundo — de tudo quanto é mundano, da vida, das atracções.» Admito a última afirmação, contanto que se corrija e detenha aquela fuga. É que fugir é sinal de cobardia, e todo o desprendimento pressupõe coragem. Observa ainda o realizador de "Aniki-Bobó": «Por trás do cinema e do autor está a vaidade. Basta isso para destruir tudo. Ele faz isto — gosta de receber prémios, de receber elogios, que compreendam os seus filmes. E isso é mundano — é deste mundo —, a santidade não é deste mundo.» Ora, se houver quem se creia inteiramente desprovido de vaidade, santo ou mero iniciado, que atire a primeira pedra. Mais: parece óbvio, e até salutar, que o cinema, como a cultura em geral, resulte em grande parte do amor-próprio. Hegel chamaria a esta inevitabilidade astúcia da razão. Eu prefiro chamar-lhe, com lhaneza, humana condição. Por fim: dizer que «a santidade não é deste mundo» equivale a afirmar que o santo é figura abstracta, sem vestígio de carne, sangue, osso, queda ou desafio. Mas o santo, humano em demasia, só o consideramos santo se pudermos imaginar que não é totalmente santo. JFB 03/12/2004 RAPOSASJoão Pereira Coutinho, no Expresso de Sábado passado, comenta a abolição, em Inglaterra, da caça à raposa com cães. Na sua análise do que motivará a contestação a este «desporto maioritariamente aristocrático», Pereira Coutinho decalcou um texto não muito antigo de Vasco Pulido Valente. Segundo os cronistas — o original e o seu émulo —, aqueles que contestam a caça à raposa (ou as touradas, no artigo de Pulido Valente) fazem-no por um «ódio de classe». Pela vontade de eliminar aquelas manifestações de «estatuto». Não duvido que exista tal ódio em muitos sectores contestatários. Um ódio tão patético como a exibição de estatuto que contesta. O «igualitarismo» consegue igualar a «aristocracia» na estupidez. Mas o universo contestatário daqueles hábitos e tradições «aristocráticos» não se resume ao confronto entre a plebe e o feudo que dá jeito à prosa de Valente e Coutinho. Os activistas ou simpatizantes de movimentos de defesa dos animais que eu conheço não podiam estar mais longe daquela questiúncula medieval. O que os preocupa é apenas a crueldade com os animais. A contestação das touradas e a contestação da caça às raposas são, tão-só, etapas. As etapas mais visíveis de uma luta interminável. O seu carácter mediático faz delas peças duma estratégia. Inelaborável. Inexprimível. Utópica. E tragicamente consciente disso. Os meus amigos activistas vivem o drama que constitui a sua preocupação com o indivíduo animal e não com a espécie, mister da ecologia. (O menor dos dramas dos meus amigos é a minha promessa adiada de conversão a um regime vegetariano.) Mas também não é verdade que ao grosso dos restantes contestatários da caça à raposa apenas interesse abolir a caça com cães (como não é verdade que, em Portugal, os contestatários apenas se preocupem com os touros de morte). O cronista João Pereira Coutinho segue as pegadas da raposa certa. Mas devia notar que o estilo por vezes esconde a falta de sagacidade. Mesmo nas velhas raposas. RAA 02/12/2004 RECONSTITUIÇÃO HISTÓRICADescontente com o modelo adoptado pelo governo de Durão Barroso para as comemorações dos 30 Anos do 25 de Abril, Santana Lopes optou por uma "reconstituição histórica" do período revolucionário: formar um governo para cair poucos meses depois. FG 01/12/2004 O LUGAR NA HISTÓRIA ou GENEROSIDADEO principal contributo de Santana Lopes para a História de Portugal foi o de permitir reavaliar em alta a prestação de todos os que o antecederam. FG 01/12/2004 PEEP-SHOWComentando a performance do governo de Pedro Santana Lopes, um amigo meu repetia os queixumes do primeiro-ministro cessante: nenhum governo foi tão escrutinado pela imprensa como este. Ora, isso é o mesmo que queixar-se que a Praia do Meco está cheia de mirones — como não, se a turba tem à partida espectáculo garantido?! FG 01/12/2004 O FIM DE UM MITOUma outra amiga minha deu mais do que o habitual benefício da dúvida a Santana Lopes. Não que tivesse dados concretos sobre a sua competência (viu-se entretanto que tais dados seriam como as provas das armas que o Iraque teria), simplesmente insurgia-se contra a caricaturização que dele se fazia: bon vivant, playboy, conquistador, "womanizer". Dizia ela (e com razão) que tais "argumentos" eram ad hominem, sem qualquer relação com a capacidade para governar. Por isso defendia-o: porque o denegrimento e a frivolização é frequentemente a forma de desviar a atenção de alguma qualidade. Há uns dias, intolerante que é com a incompetência, declarava que «nem o posso ver!» E rematava: «Agora só nos faltava descobrir que até o conquistador é só basófia, que é um Don Juan da treta!» FG 01/12/2004 AS OPÇÕES DE JORGE SAMPAIOFui dos que acharam correcta a decisão do Presidente da República ao convidar Pedro Santana Lopes a formar governo. Não porque achasse que o indigitado era a pessoa certa para o cargo — deixei aqui, de forma curta e clara, a minha ideia sobre o assunto —, mas simplesmente porque não vi razões constitucionais que exigissem a realização de eleições antecipadas naquela altura. Tal não era o sentir de muita gente e, em especial, dos líderes da oposição: desunharam-se para que Jorge Sampaio dissolvesse a Assembleia da República (AR), Ferro Rodrigues virou a mesa, a alguns só faltou uma ou outra letra na palavra "traição" ao comentarem a decisão presidencial. Não viam (provavelmente ninguém viu) que o Presidente lhes fazia — nos fazia — um favor: deitava quatro meses ao charco, mas poupava Portugal a quatro anos de charco. Senão vejamos: a ideia da oposição era a de que, no Verão, a derrota da coligação PSD/PP seria fácil: o governo de Durão Barroso acusava claros sinais de desgaste, um empurrãozinho e cairia como um castelo de cartas. Ora, a entrada de Santana Lopes em cena mudava muita coisa: demagogo, populista, telegénico, o candidato da coligação teria ainda o trunfo do choradinho, clamaria pela oportunidade que lhe fora injustificadamente negada — e o povo, quase certamente, corrigiria a "injustiça" e plantá-lo-ia, com toda a legitimidade democrática, em São Bento por quatro anos. Aos que duvidam que assim fosse, mais alguns argumentos: o passado de dissensão entre Santana Lopes e Durão Barroso permitiria ao primeiro sacudir muita água do capote no que toca aos erros e à impopularidade do segundo; não é nas campanhas que se apuram competências governativas; os (admitamos) erros e desmandos de Santana Lopes à frente da Câmara Municipal de Lisboa não eram (não são) evidentes à esmagadora maioria dos portugueses — a política é muito dada à calúnia, e à distância uma verdade não se distingue bem da má-vontade. Premeditadamente ou não (o mistério ficará), Jorge Sampaio evitou tudo isto: dando corda suficiente para que Santana Lopes se enredasse, conseguiu que este, inabilmente, se enforcasse nela; pondo-lhe o poder nas mãos, permitiu que a caricatura do primeiro-ministro desenhada pela oposição fosse substituída por um auto-retrato — e Portugal pôde verificar que o resultado era ainda pior, que a caricatura de alguns até saíra algo favorecida. Mas então impõe-se a pergunta: se as hipóteses de Santana Lopes vencer umas eleições em Junho/Julho eram consideráveis, por que razão os líderes da oposição as pediam? A resposta, por incrível que pareça, é que ninguém — do PS ao BE, passando pelo PCP — pensava que Santana Lopes pudesse ser tão mau. Não passava pela ideia fosse de quem fosse que o líder do PSD atestasse a sua incompetência em tempo recorde: quanto muito, em um ano apuraríamos a ineficácia da sua governação — mas aí já o Presidente da República estava de mãos atadas, constitucionalmente impossibilitado de dissolver a AR. Santana Lopes disporia então de mais nove meses para, populisticamente, adoçar o bico aos portugueses e preparar o terreno para novo mandato. A "janela de oportunidades" da oposição (do PS em particular) parecia estar a fechar-se no Verão passado. Não antecipavam um empecilho no caminho de Pedro Santana Lopes: ele mesmo. FG 01/12/2004 POEMA DE INTERVENÇÃOAntónio Guerreiro escreve no Expresso de Sábado uma crítica ao último livro de Jorge Gomes Miranda. Guerreiro achou mau, entre outros, "Descrição da guerra em Bagdad", poema de intervenção que Jorge Gomes Miranda publicou na Periférica n.º 6 — com o meu voto contra. Face à minha premonição, pergunto-me: serei um crítico literário sério e não sabia? RAA 30/11/2004 RESPOSTA A JORGE REIS-SÁNeste último número da Periférica, não respondi à carta que Jorge Reis-Sá carinhosamente me endereçou. Por duas razões: porque uma crítica deve ter tempo de respirar antes de ser rebatida (os leitores devem poder reflectir sobre o que leram antes de alguém lhes vir dizer que leitura fazer do texto) e porque na altura não me apeteceu. (Não sei, sinceramente, se pesou mais a razão nobre ou a minha disposição.) Agora que a edição n.º 11 está na rua, talvez possa dispor duas palavras. Porque a carta as pede e porque, porra, em algum momento terei de me deixar de lamentações sobre a falta de tempo. À carta, portanto. Mas antes, algumas notas para constar. Não gosto da poesia de Valter Hugo Mãe. Quase não li a produção literária de Reis-Sá. Mas dou valor ao que ambos construíram — a Quasi — e gosto da Apeadeiro. Por outro lado, não apreciei de todo a maneira desinteligente e emotiva como se deixaram barricar na já velha questão da "nova poesia". E é disso que se trata. A carta que Jorge Reis-Sá me endereçou só em parte me era dirigida. Reis-Sá quis-me como interlocutor, mas o auditório pretendido era mais vasto. Por isso, saltitou pelas minhas frases, quando as não passou em alto. Como costuma dizer-se: tresleu-me. Não percebeu o essencial: que o meu artigo ("A amizade é bela — e a inimizade enternecedora", Periférica n.º 10), como nenhum que se escreveu sobre a exclusão de dois poetas na reedição da antologia Anos Noventa e Agora, lhe dava o benefício da dúvida. Lhe concedia a possibilidade de ter razões não divulgadas para a exclusão. Quando, na sua carta, Reis-Sá me chama amigo, quer ser irónico e paternalista, mas não se deu conta de que, sem querer, estava a falar verdade. O meu artigo era um artigo amigo. Onde, no meu texto, Jorge Reis-Sá vê contradições, devia ver — se tivesse, também ele, tempo — o célebre "contraditório". Às acusações que lhe faziam e que elenquei opunha eu possibilidades que ilibavam Reis-Sá. O editor da Quasi, antes de redigir a epístola, não teve certamente a sorte de ler o post que aqui escrevi a 16 de Julho sobre a crítica de António Guerreiro à sua antologia (publicado também na Periférica n.º 11, página 9). Se tivesse lido, ficava esclarecido em relação a algumas coisas e poupava-se uma carta. Ou, pelo menos, poupava ele o embaraço de revelar publicamente deficiências na leitura que antigamente se corrigiam (erradamente, claro está) com reguadas. O meu amigo editor afirma logo no início, dirigindo-se-me: «da antologia, na sua crítica, afinal não fala nada», para à frente acrescentar que «já assim o fez António Guerreiro no Expresso». Deixe-me explicar, caro Jorge Reis-Sá: António Guerreiro tinha como objectivo a crítica à antologia — eu não. O meu texto, adivinhava-se logo no título, era paraliterário ou, mais prosaicamente, sobre fait divers literários. Se tivesse percebido isto, que era óbvio, a coisa ficava por aqui — mas privávamos os leitores de uma pega protoliterária. Portanto, ainda bem que não percebeu. Jorge Reis-Sá, irónico malogrado, também não identifica a ironia quando a lê. Diga-me: é verdade que o meu texto lhe pareceu dorido no que toca à polémica de Luís Adriano Carlos com Pedro Mexia? Que me acha obcecado com o «professor»? Você é inédito. Por que não simplificava as coisas e dizia apenas que eu estava a fazer a defesa de Mexia, nosso colaborador pontual? Errava à mesma, mas tornava-se mais plausível. Repare: nesta questão, que envolve (à superfície) Adriano Carlos, Pedro Mexia, o meu amigo Reis-Sá e, agora, moi même, existem diversas razões que impulsionam a escrita. Eu, depravado e decadente, desfruto destas coisas; o meu amigo Jorge tinha uma defesa pública a fazer; Adriano Carlos tem pontadas figadais a que a política não é alheia; e o Pedro Mexia não resistiu aos desmandos do «professor». Claro que eu e você, Reis-Sá, estamos nisto também porque precisamos de treinar a escrita (o meu amigo mais do que eu, convenhamos). Agora, meu caro, não me ponha obcecado com Adriano Carlos: o homem ainda vai buscar uns poemas que escrevi na adolescência e lá se vai o meu élan. E o meu futuro nas letras. Não sei como lhe dizer de outra maneira (estou destreinado, perdoe-me): aquilo que escrevi — e, muito importante, que lhe franqueava a si a porta para uma defesa — era também i-r-o-n-i-a, chalaça, brincadeira. A minha estima pelo Pedro Mexia é factual — mas assexuada. Não implica pactos de defesa da honra. O texto de Luís Adriano Carlos é que era fétido, um convite para tiro ao alvo, como o meu amigo Jorge bem o sabe. Ou não sabe? Mas ainda bem que a Apeadeiro não censurou Adriano Carlos, do mesmo modo que o Jorge Reis-Sá não censurou a participação de Mexia na reedição da sua antologia. (Eu dizia-o no meu texto, o Jorge é que não quis ler.) Se as revistas e os jornais dessem em censurar textos que não fossem especificamente sobre literatura, não havia polémicas. A Apeadeiro não publicava Adriano Carlos, a Periférica não publicava Mexia nem, agora, Jorge Reis-Sá, e até o Expresso tinha de pensar duas vezes antes de publicar a crítica de António Guerreiro à antologia Anos 90 e Agora. E depois como se divertia a gente? Como conhecíamos a idiossincrasia dos autores, dos críticos e dos editores in illo tempore? Continuando pela carta, lemos a sua acusação de ter eu «opiniões contrárias no mesmo parágrafo». Ó homem de Deus! Como foi possível que não entendesse que todo o meu texto se baseava em colocar uma hipótese e o seu contrário? Nunca leu livros policiais? É incapaz de seguir um raciocínio especulativo, que procura não ignorar nenhuma suposição para atingir a verdade? Ok, não serei um Poirot, mas não andei nada longe dos factos, pois não? Só me enganei em relação à tulha, que infelizmente não existe enquanto tal — a Quasi vende-a como livros (não resisti a esta crueldade). Agora mais a sério. Escreve você que tem «o direito de dizer o que quiser nos prefácios ou notas introdutórias», e resolveu «não dizer nada» acerca da não inclusão dos dois rapazes porque achou «que a sua exclusão diria tudo». Como viu, enganou-se. O seu silêncio — direito inalienável — prestou-se a equívocos, para seu próprio mal. O "estalinismo" mencionado no meu texto era uma citação — coisa que, claro, você não percebeu. (Para a próxima ponho-lhe as aspas.) Veja, caro Jorge Reis-Sá, o seu silêncio "esclarecedor" é que possibilitou a existência do meu texto e seus precedentes. As dúvidas que ficaram no ar é que me levaram a usar tantos pontos de interrogação (pequenas marcas gráficas que você, tal como fez com a ironia, ignorou, a bem da sua tese acerca das minhas contradições). Ó Jorge Reis-Sá, estava agora para o mandar ler o meu artigo outra vez, antes de continuar a dissecação dos seus argumentos (isto já vai demasiado longo para um post). Mas talvez baste relembrar que você, para além de uma certa incompetência, tem uma razão forte para não ter lido o que efectivamente escrevi. Você precisava que o meu artigo lhe escancarasse portas para a frase-chave da sua carta: «Foi aberta uma guerra às Quasi.» Entre outros, pelo Pedro Mexia e pelo Manuel de Freitas, mais destinatários da sua carta do que eu. Mas quanto a isso, quanto aos artigos de que você fala, quanto às entrelinhas de Freitas no Expresso, nada posso fazer. Por mim, caro Jorge Reis-Sá, até estou divertido. Aprecio o vosso esforço de guerra, mas sou apenas espectador interessado. É certo que escrevi algumas vezes sobre a guerra (na sua versão mais lata, a que confronta duas poéticas), mas sempre com assumidos e sérios intuitos paraliterários. Como, de resto, é paraliterário aquilo que vos separa e que leva à presença ou não de poetas numa antologia: a inimizade. Enternecedora. RAA 29/11/2004 P.S. Claro que aceito o seu repto para sermos amigos (corolário da simpatia mútua que nutrimos, confessemo-lo aqui aos leitores). Mas saiba, meu caro Jorge Reis-Sá, que a amizade não me fará rejeitar a minha preferência pela "poesia sem qualidades". Mesmo que me prometa publicar na Quasi umas prosas que para aqui tenho... (Deixo o assunto para conversar noutro local.) DOIS ANOS DEPOIS... A RESPOSTA!Fez este mês dois anos, RAA publicou no "A Oeste Nada de Novo" da Periférica n.º 3 um pequeno texto (disponível online: "Palavra do Senhor") sobre a revista Palavra em Mutação (PM). Este fim-de-semana, esquecido já tal texto e o que o motivou, eis que recebemos inesperadamente uma resposta. Aqui vai ela, ipsis verbis:
RP 29/11/2004 FAST ON THE TRIGGER, SLOW ON THE BRAINO anúncio à nova câmara fotográfica Sony Cybershot apela: «Pense menos. Fotografe mais.» Esta deveria ser a deixa para que eu aqui dissertasse longa e doutamente sobre o sentido último de tal slogan — mas não me ocorre nada apropriadamente profundo e inteligente. (Vou tirar umas fotozinhas.) FG 29/11/2004 LITERATURA, ANGÚSTIA E ANTOLOGIASPerguntou-me, há dias, o Público: «Tem 2 horas?» Respondi que sim. «Há sempre livros que gostávamos de ler e nunca tínhamos tempo», sentenciava o jornal. Estranhei, na frase, a passagem do presente ao pretérito imperfeito. Achei, todavia, tratar-se de uma bela estratégia para ocultação da angústia de não se poder ler tudo aquilo de que se gosta. Bastava, aliás, reparar no que era dito a seguir: «Com a nova "colecção 2 horas de leitura" vai poder ter acesso aos grandes nomes da literatura mundial através de contos e novelas que podem ser lidos e apreciados em apenas 2 horas.» Acesso aos grandes nomes da literatura mundial? Admitamos. Mas, em todo o caso, o problema já não é o acesso: é o tempo. Melhor: o tempo de palmilhar todos os acessos, pressupondo em cada um deles o seu particular encanto. Como é possível que duas horas de conteúdo arbitrariamente destilado redimam a nossa fatal incompletude? Somos do infinito por desejo, do instante por condição. E é muito para lá do marketing que o discípulo da angústia aprende a forjar as suas próprias antologias. JFB 29/11/2004 CEDÊNCIAS ESTERCORÁRIASO Independente, nas últimas semanas, tem consagrado uma página à Quinta das Celebridades, emprestando-lhe o título da obra de George Orwell: O Triunfo dos Porcos. Fá-lo com ironia e sarcasmo. No entanto, aquela é complacente e este é convencional. Pior: à medida que se gastam páginas a evocar a Quinta, empalidece o exercício da sátira. Pior ainda: vai-se tornando evidente que o jornal cedeu aos eflúvios do esterco. JFB 29/11/2004 UMA QUESTÃO DE INOCÊNCIAQuis a fortuna que eu ficasse colocado na escola de Baião e que as primeiras coisas que lesse nesta simpática vila fossem as palavras seguintes: «Mãe, porque é que os socialistas de Baião são uns vesgos e não dizem a verdade?» A questão, de vago sabor epistemológico, e ao lado da qual se encontra um inocente rosto de criança, aparece inscrita num cartaz do PSD. Em baixo lê-se ainda: «Somos Todos Baião.» Comentar a inefável, angélica pergunta seria um exercício cansativo, redundante. Já no que se refere ao último enunciado, ordena-me a verdade dizer que, até à data, nenhum habitante de Baião me dirigiu qualquer insulto. JFB 25/11/2004 FINALMENTE, O NOVO APARTADOAvisam-se todos os interessados em entrar em contacto postal com a Periférica que a nova morada preferencial para envio de correio é: Revista 'Periférica' Para aqui deverá ser enviada toda a correspondência relativa a assinaturas, facturação ou propostas de material a publicar. A morada da sede de Redacção mantém-se: Revista 'Periférica' mas só deve ser usada em caso de envio de encomendas armadilhadas. RP 25/11/2004 A VERBO LAVA MAIS BRANCOSaiu recentemente, pela Verbo, um volume intitulado Christos – Enciclopédia do Cristianismo. Não o adquiri, nem estou certo de vir a fazê-lo (apesar do interesse que tenho por este fascinante constructo humano que são as crenças religiosas e divindades conexas), pois são fortes as minhas dúvidas quanto à seriedade da obra. Em primeiro lugar, a reserva em abstracto: não tendo um explícito «Imprimatur» no seu cólofon, a enciclopédia situa-se, assumidamente (ao menos isso), «dentro da fé católica» — logo, irremediavelmente tolhida na sua objectividade —, ainda que também se anuncie «orientada por uma indubitável posição ecuménica». Mas, se não tem o dito volume qualquer «Imprimatur», em compensação vela-o o «Deletur», se não na forma explícita de um decreto canónico, na inultrapassável inclinação dos redactores da obra. Concretizemos: passo por uma livraria e, mesmo à mão de semear, eis Christos. Tomo-lhe o peso, meço-lhe o preço e abro-o, para inspeccionar o tamanho da letra e o aspecto geral da coisa, debicar aqui e ali. Por mero acaso ou sopro divino, a página onde vou parar contém o verbete dedicado a Padre António Vieira: coisa breve, uma dúzia de linhas ou pouco mais. Leio e pasmo (por vezes dá-me para isso, para ainda me surpreender): o artigo termina com a referência à acção do missionário português em prol dos índios do Brasil, o que teria despertado a oposição (não me lembro dos termos usados*) de fidalgos e colonos. Dixit. Finito. The End. Nenhuma referência ao tempo de prisão (1665–1667) sofrido devido a um processo da Inquisição (o que é isso?). Perseguição ao bom Padre, isso foi coisa de fidalgos e colonos, sempre prontos a estorvar a libertadora acção missionária da Igreja. Amém. FG 25/11/2004 * Assim que possível, farei a citação exacta. INSCRIÇÃO NA "E-MAILING LIST" DA PERIFÉRICAA Periférica está a reformular a sua "e-mailing list". Assim, as pessoas que até aqui têm
recebido a notícia do lançamento de cada novo número da nossa revista estão a ser contactadas,
sendo-lhes pedido que confirmem o desejo de inscrição na nova lista. O link que lhes é
pedido que sigam para efectivar a inscrição é do tipo: Por falta de familiaridade nossa com este serviço da Bravenet.com, algo correu mal e os leitores estão a receber uma mensagem-padrão em inglês e não a mensagem personalizada que tínhamos preparado. Pelo facto pedimos desculpa. Vimos por este meio confirmar que a dita solicitação de inscrição na lista partiu efectivamente da Periférica, não se tratando de qualquer vírus. Quem não desejar pertencer à lista (ou seja, quem desejar deixar de receber notícias nossas) não precisa de fazer nada: só quem confirmar a inscrição entrará para a lista. RP 15/11/2004 NOVA MORADA PARA ENVIO DE CORREIOAvisam-se todos aqueles interessados em enviarem-nos cheques e outros bens de primeira necessidade que a Periférica deixou de possuir um apartado na Estação de Correios de Vila Pouca de Aguiar. Estamos a tratar de arranjar um novo apartado, mais próximo do local onde a vida monástica que levamos nos mantém. Até lá, toda a correspondência deverá ser enviada para a sede da Redacção: Rua António José D'Ávila, 18, 2.º Dto. Pedimos desculpa se alguma correspondência tiver sido entretanto devolvida. Se era um cheque, enviem-no-lo outra vez! RP 08/11/2004 OS MEUS LIVROSA revista Os Meus Livros desapareceu do mercado. Sem avisos prévios. De mansinho, como se temesse incomodar. Sem editoriais acusadores da indiferença cruel e cínica dos grupos de comunicação social. Sem manifestos lamentosos da falta de apoios. Sem editais ou circulares das Finanças sobre a bancarrota. Nada. Desapareceu sem que ninguém desse por isso. Excepto, talvez, os assinantes. A bancarrota, a indiferença cruel e cínica dos grupos de comunicação social terão existido, certamente, mas isso não é surpresa — o seu espectro sempre pairou sobre Os Meus Livros, como sobre qualquer outra publicação do ramo. O mais relevante e triste é que a revista desapareceu como desaparecem os papões quando deixamos de olhar o escuro, ou as desgraças quando viramos os olhos para o lado. Portugal inteiro deixou de olhar o escuro. Deixou que o medo ridículo de papões se sobrepusesse à curiosidade de os ver, deixou que o sono viesse rápido, rápido demais, antes de ter tempo de sentir inquietude. Porque Portugal inteiro não quer sentir inquietude nem curiosidade. Portugal, rezam os estudos, opina que nada mais tem a aprender. Está bem assim, obrigado. Portugal, como em Fahrenheit 451, prefere uma comodidade onde os livros, os inquietantes livros, não têm lugar. É a indigência e o autocontentamento imbecil a exercerem o seu direito. A revista Os Meus Livros não desapareceu por problemas financeiros, esgotamento do projecto, cansaço da redacção, escassez de leitores. A revista Os Meus Livros deixou de constar nas bancas porque Portugal, país com três diários desportivos, não comporta a existência de um mensário sobre livros. Não falo de revistas de baixa circulação, altamente subsidiadas ou feitas com alegre prejuízo porque o espírito de missão assim o dita. Não falo do Jornal de Letras, instituição artificialmente mantida por uma generosa excentricidade dos proprietários. Não falo da Ler, cuja periodicidade e objectivos são sustentados com relativa facilidade pelo endinheirado Círculo de Leitores. Não falo das sobrantes páginas sobre livros nas secções de cultura dos jornais, espécie de cruz que estes carregam, porque o manda a decência e a tradição. Falo de uma publicação intencionalmente «popular» sobre livros, que, paradoxalmente, o país acha, sem emitir opinião, impopular. Uma publicação que elenca extensivamente as edições do mês. Que comenta sem complexidade os livros do mês. Que critica sem academismos os livros do mês. Falo de uma «TV Guia dos livros» — sem desconsideração (o que alguns não entendem). Portugal comporta as sobrantes páginas dos jornais sobre livros porque há uma pequeníssima elite que faz algum barulho de cada vez que elas diminuem. Uma elite que significa umas míseras décimas no volume de vendas, mas que tem suficiente visibilidade para se tornar incómoda. As administrações condescendem — apenas para se livrarem das pequenas melgas. Mas Portugal, ao contrário dos restantes países do «pelotão», não comporta uma revista popular (sem sentido pejorativo) sobre livros. E isso, a somar às pouco surpreendentes sandices do governo Santana no caso Rebelo de Sousa ou no affaire DN, acrescenta ao retrato do país um último e desolador traço. Temos o nepotismo, a corrupção, o clientelismo — características idiossincráticas transversais a todas as classes sociais portuguesas. E temos, também, a incapacidade de manter um mercado mínimo de livros — com o respectivo catálogo (Os Meus Livros) a circular. Meses após o desaparecimento da revista Os Meus Livros, os assinantes foram informados do seu possível regresso em Novembro. A notícia, ignorada por quase toda a comunicação social, causou o mesmo impacto: um silêncio indiferente. Ao país é indiferente ter ou não ter Os Meus Livros. Ao país é indiferente ter ou não ter livros. RAA (in Periférica n.º 11) P.S. Este texto foi escrito em Outubro para a rubrica "Por quem os sinos dobram" da edição n.º 11 da Periférica (que vem a caminho). Entretanto já é Novembro e a revista Os Meus Livros, agora propriedade da editora Saúde Press, acaba de sair com a espantosa tiragem de 70 mil exemplares (a edição deste mês é distribuída gratuitamente com a revista Saber Viver). Poderão os setenta mil exemplares gratuitos e a forte campanha publicitária prometida pela editora acabar com a indiferença? Tocarão desta vez os sinos, não a finados, mas aleluias? MAIS QUATRO ANOS DE BUSH
Obrigado, Osama! FG 03/11/2004 VEM AÍ MAIS UM NÚMERO DA PERIFÉRICAO número 11 da Periférica seguiu ontem para a gráfica. Se tudo correr como o previsto, na segunda quinzena de Novembro começaremos a distribuição. A edição de Outono será uma das maiores desde que começámos a revista (só o primeiro número, retrospectivamente impúbere, teve mais páginas). Será também o nosso primeiro número parcialmente temático: das 76 páginas (não contando a badana), mais de 40 são dedicadas a um tema alargado. Ao fim de dois anos e meio, apeteceu-nos abanar um pouco a estrutura da revista, mudar de ares, experimentar novos métodos de trabalho, evitar que o pó se acumule. Quanto ao resultado (e ao tema), avançaremos com mais pormenores em breve. Por agora, digamos apenas, com a objectividade possível, que folheamos a maqueta da edição e gostamos. É bastante diferente do que fizemos até aqui, mas (?) gostamos. Quanto ao resto, caberá aos leitores julgar. RP 03/11/2004 P.S. Antecipando a fartura anunciada por Santana Lopes, a Periférica passa a custar 3,50 euros. COINCIDÊNCIA CAPRICHOSAQuando soube que Clara Ferreira Alves tinha sido convidada para dirigir o Diário de Notícias, fiquei contente. Aquele jornal bem precisa de ideias novas para se tornar legível. Apetecível. E Ferreira Alves era mulher para a mudança. Obviamente, vindo de quem vinha, o convite à jornalista era feito muito pela sua posição próxima de Santana Lopes. O que até nem tinha mal, já que a dubiedade e a torpeza de quem convidava esbarrariam, pensei, na idiossincrasia de uma profissional competente e íntegra. A minha convicção era que de um convite com intenções pouco claras nasceria a reformulação capaz de dar ao DN uma nova e melhor vida. Hoje [30/10/2004] leio no Expresso a «Pluma Caprichosa» e pasmo. Clara Ferreira Alves, respondendo a uma crítica indirecta de Eduardo Cintra Torres no Público, desce ao mesmo nível chocarreiro de Luís Delgado (a promoção mais tristemente anedótica de Santana Lopes). Tal como, antes dela, o presidente executivo da Lusomundo Media, Clara Ferreira Alves «confunde» Eduardo Cintra Torres com «um vendedor de parabólicas». Nesta coincidência de argumentos a minha convicção vacila. RAA 30/10/2004 SUA CELEBRIDADE SANTANA LOPESSantana Lopes deve «estar que nem pode». Então agora que ele foi para primeiro-ministro é que resolvem pôr no ar a Quinta das Celebridades? Não podia ter sido antes? Não podia ser depois? Reparem: Santana Lopes não teme a disputa do tempo de antena (ele sempre gostou dessas disputas). O primeiro-ministro apenas lamenta que a dignidade do cargo não seja consentânea com a participação no programa. Ali, na chácara dos famosos, sim, é que ele estaria nas suas sete quintas. A TVI teria prestado um serviço à nação se tivesse adiado o casting para a Quinta uns meses. É que não tenham dúvidas: essas eram as circunstâncias em que Santana abdicaria. RAA 22/10/2004 JN A BANHOSO JN é o papel de embrulho mais generoso de que há notícia. Sucessivamente, o jornal distribui com as próprias folhas impressas, grátis ou por uma quantia módica, as mais diversas oferendas. Algumas das quais chegam a ser «banhadas a ouro». Na sua infindável bondade, o JN podia um destes dias deixar de vir mergulhado em necrofilia e voyeurismo e passar, ele mesmo, a aparecer nas bancas banhado a ouro. Se não um longo e revigorante banho de imersão, pelo menos «um duchezinho rápido», como disse hoje, bem-humorada, a senhora do quiosque a propósito de uma das quinquilharias do jornal. RAA 22/10/2004 FUGIR COM O CU À SERINGANo debate de hoje na Assembleia da República, Santana Lopes respondeu à parábola de Francisco Louçã, protagonizada por uma vaca e uma galinha, dizendo que não percebe nada de zoologia. Em bom português a uma tal resposta chama-se fugir com o cu à seringa. Felizmente Louçã não fez tal reparo, ou Santana teria respondido que também não percebe nada de medicina ou enfermagem. Chegados aqui já não mais pararíamos: uma coisa levaria à outra, e Portugal acabaria o dia com a confirmação (ex ore proprio) de que o seu primeiro-ministro não percebe nada de nada. FG 14/10/2004 PEQUENAS PÉROLAS JORNALÍSTICAS (4)No telejornal de ontem à noite na TVI, fait-divers jornalístico sobre um concurso de abóboras gigantes nos EUA: «558kg de abóbora, a 5 euros o quilo... são mais de mil contos!» (Percebe-se o ponto de exclamação...) FG 13/10/2004 É POR ISSO!Aproveitando o tempo ganho com a saída antecipada da edição anterior, a Periférica deu-se ao luxo de recuperar um certo lazy profile. Por isso, a edição de Outono, tal como nos anos anteriores, sairá a partir de meados de Novembro. Mas não só por isso. Desta vez resolvemos construir um número (parcialmente) temático. O que significa algumas alterações nos métodos de trabalho, nos contactos, nos timings. Diga-se que não nos estamos a dar mal com a ideia e com o processo (esperamos que o leitor venha a dizer o mesmo do resultado). Entretanto, por isso e não só por isso, o blogue continua desamparado. A nossa escrita aqui tem sido mais ou menos ao ritmo de "quando o rei faz anos". Não há desistências, nem saturações, nem desinspirações, nem falta de vontade, nem pressões do Governo, muito menos de Paes do Amaral. O que não há é tempo, mesmo. A hierarquização das actividades tem destas coisas: primeiro a vida profissional, fim-do-mês oblige; a seguir a revista elle même; e só depois, repare-se, a vida amorosa, para frustração de muitos corações. O blogue seria, supostamente, nos tempos livres... Mas temos esperança. De retomar as lides bloguísticas. RP 12/10/2004 VEM AÍ O PARAÍSOObrigado, Nosso Primeiro! FG 12/10/2004 "BEATOMATIC" ou IT'S A WONDERFUL WORLDÉ publicamente sabido que João Paulo II beatificou e canonizou mais pessoas do que, juntos,todos os seus antecessores desde que a igreja católica instituiu o processo canónico. Hoje soube a dimensão do fenómeno: em 26 anos, 1338 novos inquilinos dos altares, ou seja, uma média de um por semana — Karol Woytila encontra a santidade pelo mundo com mais frequência do que muita gente toma banho e muda de roupa. O último beato é um quase-especialista em varizes: digo "quase", porque parece que só por uma vez o ex-imperador da Áustria nos abençoou com esse feito, aliviando as pernas de uma freira brasileira. (Um padre madeirense opina que «Todos os milagres que me contam são de uma infantilidade atroz e redundam numa ofensa grave contra a inteligibilidade da fé.» Não percebe que a fé não vive da inteligibilidade — pelo que toda a ideia de processo canónico e "prova" através de milagres é autocontraditória.) Outro beato, dos princípios do apostolado de Karol, é Antoni Gaudí, o arquitecto catalão. Não sei quais as provas que entraram no processo, mas não contesto as conclusões: algumas obras do mestre são verdadeiros milagres, mesmo para um incréu como o que escreve estas linhas... As probabilidades dizem que morrerei depois do JP2. Se assim não for, não se admirem os que cá ficarem se também a mim me admitirem ao cada vez menos restrito clube dos incensados: descubra o papa polaco que, na minha fase "pré-perdição", cantei no coro da Sé e acompanhei o compasso na Páscoa, e já será meio caminho andado — só faltará arranjar uma freira com varizes. FG 09/10/2004 |
Autores dos textos:Fernando Gouveia [www] |
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